André Dusek/Estadão
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Ministro da Justiça diz que forças policiais garantirão a lei durante a Copa

‘Não permitiremos abusos’, afirmou Cardozo, que tranquilizou os turistas que vierem para o Mundial; procurador-geral anuncia que sedes terão gabinete de crise

Jorge Macedo, O Estado de S. Paulo

28 Maio 2014 | 20h31

BRASÍLIA - Após a manifestação que tumultuou o Distrito Federal nesta terça-feira, 27, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, reiterou que quem vier para o Brasil acompanhar a Copa do Mundo poderá ficar tranquilo quanto à segurança. "Todos os turistas, incluindo os estrangeiros, podem se sentir seguros porque as forças policiais estarão presentes para garantir o cumprimento da lei. As pessoas são livres para se manifestar, mas não permitiremos abusos", enfatizou. Nesta terça, a presidente Dilma Rousseff afirmou a empresários que não seria permitido "baderna" na ruas.

Na terça-feira, um grupo de aproximadamente 2,5 mil pessoas protestou contra o Mundial no Brasil. Quando se aproximavam do Estádio Mané Garrincha, os manifestantes foram impedidos de seguir pela Cavalaria da Tropa de Choque da Polícia Militar, que entrou em conflito com os indígenas que estavam à frente do ato.

Durante a confusão, um cabo da PM foi atingido na perna por uma flechada. Além do policial, que não sofreu ferimento grave, oito pessoas ficaram feridas - entre elas 6 indígenas - e 3 manifestantes foram detidos.

Questionado sobre a utilização de arcos e flechas em futuros protestos, Cardozo afirmou que qualquer um tem o direito de ir às ruas, desde que aja conforme a lei. "A Constituição assegura que todos têm a garantia democrática para se manifestar livremente, mas sem armas. Tudo isso deve ser posto dentro do que nosso plano de segurança coloca. Manifestação é manifestação, não importa qual seja a natureza. O uso do arco e flecha é um caso pontual que deve ser analisado. Só então é que serão adotadas as medidas cabíveis", ressaltou.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, também expressou sua opinião em relação às manifestações contra a Copa. De acordo com ele, o que aconteceu no Distrito Federal não deve assustar quem pretende assistir aos jogos do Mundial. "O Brasil é um país amigo e seguro. Manifestações de rua ocorrem em todo o mundo. Acredito que episódios como esses não afetarão a grandeza do evento nem devem retirar a certeza dos estrangeiros de que estão em um país tranquilo", reforçou.

Gabinetes de crise. Janot aproveitou para anunciar que, na próxima semana, o Ministério da Justiça e o Ministério Público Federal deverão criar gabinetes de crise nas sedes da Copa. O objetivo é garantir o pronto atendimento e a aplicação da Justiça em casos de excessos cometidos durante o torneio. "A constituição do gabinete assegura que quem cometer abusos será punido com rapidez, de um lado e do outro." Os gabinetes de crise serão compostos por procuradores, promotores, juízes, policiais, advogados e defensores públicos.

Mesmo após serem reprimidos pela polícia, os manifestantes que organizaram o protesto de terça-feira prometeram novos atos para os próximos dias. Durante entrevista coletiva concedida em Brasília, na tarde desta terça, alguns líderes dos movimentos sociais presentes nos protestos reafirmaram que a ação policial foi descabida e sem propósito, e a repressão empregada pelas forças de segurança só motiva e reforça o desejo da população de ocupar as ruas novamente.

Tiago Ávila, representante do Comitê Popular da Copa, questionou o comando da Polícia Militar no DF. "Conversamos com o coronel responsável pela operação. A polícia estava ciente do nosso trajeto e garantiu que não haveria nenhum tipo de repressão. O movimento era simbólico e pacífico. No meio do caminho, eles mudaram de postura e começaram a disparar bombas contra todos nós", alegou.

O cacique Marcos Xucuru fez questão de ressaltar que não foram os índios que iniciaram a confusão que ocorreu próximo do estádio da Copa. "É tradição indígena levar nossos adereços para todos os rituais que fazemos e os arcos e flechas fazem parte disso. Estávamos à frente do protesto com nossas danças quando fomos surpreendidos pela cavalaria. Em nenhum momento partimos para o confronto. Os cavalos ficaram assustados e daí os policiais lançaram bombas de gás e balas de borracha contra nós", explicou.

Xucuru afirmou ainda que os indígenas não sabem quem foi o responsável por atirar a flecha que feriu um dos policiais durante a confusão.

 

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