Ministro quer investigação de genro

A pedido de Ayres Britto, presidente do STF pede que Ministério Público e OAB apurem negociação entre Roriz e advogado Adriano Silva

Rosa Costa e Leandro Colon, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2010 | 00h00

A negociação entre o genro do ministro Carlos Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-governador Joaquim Roriz (PSC) vai ser alvo de investigação do Ministério Público e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, vai apurar a contratação do advogado Adriano Borges Silva - genro de Britto - por Roriz durante o processo do ex-governador sobre o caso Ficha Limpa. O pedido foi encaminhado ontem pelo presidente do Supremo, Cezar Peluso, a pedido do próprio Ayres Britto.

O objetivo do acordo entre Roriz e o genro de Britto era provocar o impedimento do ministro do STF, por causa do parentesco, afastando-o do julgamento. Isso ajudaria o ex-governador, porque o ministro havia sinalizado ser favorável à aplicação da lei. A estratégia, porém, não foi levada adiante: Borges acabou não assumindo a causa, Ayres Britto votou pela aplicação imediata da lei e Roriz teve de desistir da disputa, diante do empate do julgamento no STF. O presidente da OAB nacional, Ophir Cavalcante, pediu também a abertura de um processo administrativo sobre o caso.

O episódio veio à tona com a revelação de um vídeo, gravado no dia 3 de setembro, em que Roriz e o advogado Adriano Silva discutem os termos da possível contratação.

No vídeo, Roriz sugere que a contratação de Borges obrigaria Ayres Britto a se declarar impedido de votar. "Com isso eu ganho... folgado", afirmou na conversa. Em seguida, o genro do ministro confirma que, assim que fechassem um contrato, Britto estaria automaticamente fora.

Ontem, o genro de Britto defendeu-se e afirmou que o ex-governador divulgou um vídeo editado, incompleto, para tentar desmoralizar o STF.

Segundo Adriano, ele foi chamado para atuar como advogado no dia 31 de agosto, quando o processo ainda estava no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Somente no dia 3, quando Roriz já preparava recurso ao STF, é que ele disse ter percebido as intenções do ex-governador de usá-lo para afastar Ayres Britto do processo. "O Roriz adulterou o vídeo. Armaram uma arapuca para mim. Eu não estava negociando para figurar e causar impedimento, mas para trabalhar", disse.

O genro do ministro do STF nega que tenha oferecido qualquer vantagem a Roriz para ser contratado. Disse que não via problemas em atuar no caso, apesar da ligação familiar dentro do Supremo. "Existe independência entre mim e meu sogro. Temos relação familiar, mas não profissional", afirmou.

Queixa-crime. Por outro lado, uma queixa-crime foi protocolada pelo advogado Eri Varela no STF contra os ministros Ayres Britto e Ricardo Lewandowski, este último, que preside o TSE, também citado no diálogo entre Roriz e Adriano Silva.

Ligado a Roriz, Varela disse que o ex-candidato só soube da sua iniciativa depois de divulgada pela imprensa. Segundo ele, as conversas foram gravadas no escritório de Joaquim Roriz, em sua casa, pela coligação que o apoia "em face da auto-proteção e da auto-segurança do ex-governador".

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