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Mobiliário do Copacabana Palace vai a leilão nesta terça-feira

Heloisa Aruth Sturm, do Rio - O Estado de S.Paulo

02 Julho 2012 | 23h 15

Os lances para as 1.040 peças – que incluem de sofás e poltronas a tapetes, cortinas e aquarelas - podem ser feitos até por telefone

Que tal levar um pouco do glamour do Copacabana Palace para casa? Nesta terça-feira, 03, devem ir a leilão 1.040 peças do mobiliário que durante anos fez parte da decoração de um dos hotéis mais luxuosos do País, que ficará em reforma nos próximos meses.

O projeto do arquiteto francês Michel Jouannet - orçado em R$ 30 milhões - prevê reformulação de 90 banheiros e 60 quartos, além da entrada do prédio. "Nós sempre reverenciamos nossa história, mas também pensamos no futuro, nos novos hóspedes, nos filhos e netos das pessoas que se hospedaram ou moraram aqui", diz a diretora de relações públicas, Cláudia Fialho.

A ideia inicial era fazer um "garage sale", com preços pré-estipulados e venda por ordem de chegada. Mas a procura acabou sendo tão grande que decidiram organizar o leilão. "A venda de garagem seria muito complicada porque há muitos pretendentes", disse a marchand e organizadora Soraia Cals. "Montamos cerca de 270 lotes como se fossem quartos decorados. Se não houver interesse, venderemos as peças individualmente."

Até a semana passada, o mobiliário ainda estava em uso, inclusive em quartos usados por delegações e chefes de Estado que se hospedaram ali na Rio+20, como o príncipe Albert II, de Mônaco.

Além dos sofás, poltronas, cabeceiras, mesas, cômodas e luminárias, estarão à venda também tapetes, cortinas, toalhas e reproduções fotográficas de gravuras, afrescos, projetos arquitetônicos e de aquarelas - incluindo 6 do francês Jean-Baptiste Debret, pintor integrante da Missão Artística Francesa que chegou ao Brasil em 1816, a pedido da família real, para instalar o ensino das Artes Plásticas no País.

Não haverá preço mínimo para os itens, mas é possível dar lances por telefone.

Os móveis em si não chegam a ser valiosos no mercado de antiguidades. Em março, Soraia estipulou o valor de algumas peças entre R$ 800 e R$ 1,5 mil. Mas os itens têm grande valor sentimental para ex-hóspedes e devem ser disputados também por fãs de famosos que circularam por ali - embora o hotel não vá divulgar que celebridade usou o quê.

Segundo Cláudia, na lista de possíveis compradores há dono de pousada e gente com ligação afetiva com o hotel, como ex-moradores e casais que passaram ali a noite de núpcias. "É uma forma de manterem um pouco da alma e do espírito do Copa".