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Mobral, fracasso do Brasil grande

Movimento que pretendia erradicar do País o analfabetismo durou 15 anos, com pouco resultado

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Rose Saconi ,
O Estado de S.Paulo

08 Setembro 2010 | 00h00

Há 40 anos

Até o final da década de 70 não deverá haver mais analfabetos no Brasil, pelo menos na faixa até 35 anos de idade. A declaração foi feita em 1970 por Mário Henrique Simonsen, primeiro presidente do Movimento Brasileiro de Alfabetização, pouco antes da instalação oficial do Mobral.

O decreto-lei n.º 1.124, assinado pelo então presidente da República, general Emílio Garrastazu Médici, permitia "deduções no imposto de renda de pessoas jurídicas para fins de alfabetização".

Com a entrada em vigor da nova legislação, também iniciava as atividades uma das mais polêmicas instituições do País. O Mobral foi criado oficialmente em 1967, mas somente três anos depois começou a receber verbas para sua efetivação.

Otimismo. O governo prometia, com alarde, promover o chamado milagre brasileiro, varrendo o analfabetismo do País em apenas dez anos. O Brasil tinha, em 1970, mais de 18 milhões de adultos analfabetos, o que representava 33,6% da população com mais de 15 anos.

A criação do Mobral mobilizou o País por meio da campanha "Você também é responsável", que estimulava a participação da sociedade no novo projeto de educação. Conseguiu estender suas ações por todos os municípios do Brasil. Sua tarefa era executar o processo de alfabetização de adultos desde o recrutamento de professores até a construção de salas de aula e distribuição de material didático. Voluntários de todo o Brasil, entre alfabetizadores, monitores e supervisores, eram convidados a trabalhar gratuitamente para a instituição.

"Sérgio foi tirar carteira do INPS. Ele agora está seguro. Tem seu futuro garantido". "O povo vive em ordem. O povo ajuda o país. Todos devem ajudar". Estes são dois exemplos de textos distribuídos pelo Mobral. As palavras de ordem eram otimismo e esperança. Para o governo da época bastaria o cidadão obter o diploma do Mobral e tirar sua carteira do INPS para ter o futuro garantido.

Em seu primeiro ano de funcionamento o Movimento Brasileiro de Alfabetização teve sete milhões de alunos matriculados, ou 38% dos analfabetos do País na época.

O Mobral durou 15 anos - foi extinto em 25 de novembro de 1985 pelo presidente José Sarney - e se transformou num dos maiores fracassos educacionais da história do Brasil. Diplomou apenas 15 milhões dos 40 milhões de brasileiros que passaram pelas suas salas, diminuindo em apenas 2,7% o índice de analfabetismo no País.

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