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Morador de prédio desocupado fica cego após ser atingido por tiro

Thaise Constancio - O Estado de S. Paulo

11 Abril 2014 | 15h 10

'Ele era meus olhos, minhas pernas. E agora?', desabafou Márcia da Conceição Gonçalves

RIO - O entregador de pizza Maycon Gonçalves Melo, de 25 anos, ficou cego de um olho durante a desocupação da Favela da Telerj nesta sexta-feira, 11, no Rio, segundo a mãe do rapaz. Ele teria sido atingido por um tiro no olho esquerdo e está internado no Hospital Municipal Souza Aguiar. A mãe dele, Maria da Conceição Gonçalves, de 42 anos, foi à 25.ª Delegacia de Polícia (Engenho Novo). Nervosa e chorando muito, ela disse: "Eu quero registrar um boletim de ocorrência. O Choque cegou meu filho".

Márcia contou que o filho trabalha com carteira assinada, é casado e tem dois filhos. Mas ele e a mulher moram em casas separadas, cada um com sua mãe, por não terem como pagar o aluguel. "Ele foi para a ocupação para ter a independência dele e da família. Ele é trabalhador, tem outros dois bicos fixos", afirmou.

Márcia disse que houve "um massacre". Segundo elas, os moradores da ocupação estavam dormindo, às 5h15, quando a polícia chegou. "Ele estava tentando sair do barraco, quando levou o tiro. No hospital disseram que ele está cego. Eu tinha esperança, é meu único filho. Ele era meus olhos, minhas pernas. E agora?", desabafou Márcia, que teve a perna esquerda amputada quando criança. "Eu disse para o policial do Choque: você cegou o meu filho. E ele me disse um palavrão". Ela apresentou o boletim médico emitido pelo hospital para fazer o registro da ocorrência.

A assessoria de Imprensa da Secretaria Municipal de Saúde confirmou que o entregador de pizza Maycon Gonçalves Melo, de 25 anos, ficou cego de um olho. Ele está internado no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio. Segundo o boletim médico, Melo teve perda do globo ocular esquerdo por ação de corpo estranho.

Os médicos descartam a hipótese de ele ter sido atingido por projétil de arma de fogo, mas não fazem menção à bala de borracha. A mãe do entregador, Maria da Conceição Gonçalves, de 42 anos, acusa policiais do Batalhão de Choque de terem atirado na direção do seu filho, durante a desocupação do prédio da empresa Oi, no Engenho Novo, na zona norte.

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