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Moradores da ocupação dizem que ação dos PMs foi um 'massacre'

Thaise Constancio e Marcelo Gomes - O Estado de S. Paulo

11 Abril 2014 | 19h 39

Eles contam que foram acordados com gás de pimenta e não puderam carregar nenhum pertence - apenas a roupa do corpo

RIO - Nervosa e aos prantos, Márcia da Conceição Gonçalves, de 42 anos, disse na 25.ª DP que a desocupação da Favela da Telerj nesta sexta-feira, 11, "foi um massacre". Ela é mãe do entregador Maycon Gonçalves Melo, que ficou cedo de um olho ao ser atingido durante a ação. "Quero registrar um boletim de ocorrência. O (Batalhão de) Choque cegou meu filho".

Os médicos do Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, descartam a hipótese de ele ter sido atingido por projétil de arma de fogo, mas não fazem menção à bala de borracha. Melo, que é casado e tem dois filhos, "foi para a ocupação para ter a independência dele e da família", afirmou Márcia.

Melo saía do barraco quando levou o tiro. "Eu tinha esperança (de que ele não ficasse cego), é meu único filho. Era meus olhos, minhas pernas. E agora?", desabafou Márcia, que teve a perna esquerda amputada quando criança.

Grávida de 7 meses, a cabeleireira Edilene Gomes, de 33 anos, foi resgatada pelo telhado de casa com os três filhos. Os ocupantes da Favela da Telerj colocaram fogo em um ônibus que estava parado na frente da casa dela, perto do prédio invadido. As chamas atingiram o ar-condicionado do segundo andar, que explodiu. Mãe e filhos pularam o muro e se abrigaram na casa de vizinhos. "Eu estava deitada quando ouvi um estrondo. Passei mal quando percebi que o ônibus estava pegando fogo", contou.

Na 25.ª DP, a mãe de um dos seis menores de idade detidos contou que o filho de 14 anos se escondeu no mercado que foi saqueado ao ver a confusão. "Eu não criei bandido, eu não criei animal. É assim que aparecem Amarildos e Cláudias. Meu filho estuda", disse a camareira Carla Carolina de Souza Figueiredo, de 33 anos. Eles não moravam na ocupação, mas no Jacarezinho.

Os ocupantes reclamaram da truculência policial. "Eles acordaram todo mundo com gás de pimenta. Mandaram a gente levantar e sair logo. Não nos deixaram carregar nada. Fiquei só com a roupa do corpo", reclamou Valeria dos Santos, de 35 anos, que estava na invasão com o marido e o filho.

A maioria dos invasores era de favelas próximas, como Manguinhos, Jacarezinho e Rato Molhado. "Depois que essas comunidades foram pacificadas, os aluguéis aumentaram muito. Eu pagava R$ 200 e agora pago R$ 500. Não dá", disse Marilene dos Santos, de 44 anos, que morava em Manguinhos.

O militante do Movimento de Lutas dos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), Esteban Crescente, de 26 anos, foi autuado por lesão corporal leve. Segundo ele, "a polícia disse que eu joguei a pedra (no policial)". "A polícia, mais uma vez, agiu com truculência e violência contra quem só queria ter onde morar". Depois de prestar depoimento na 25ª DP, Crescente assinou um termo circunstanciado e foi liberado.

No Facebook, amigos dele criaram um evento para pedir a liberdade do ativista, que já havia sido solto. Em 2012, ele foi candidato a vereador no Rio pelo PDT.

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