Ramiro Furquim/Estadão
Ramiro Furquim/Estadão

Moradores de Jurerê temem piora na zeladoria

Associação de bairro cuida da manutenção, mas ficou sem ajuda de dona do terreno onde estão os clubes

Bruno Ribeiro, Enviado especial

03 Julho 2017 | 03h00

FLORIANÓPOLIS - Mais do que a perda de pontos turísticos em Jurerê Internacional, moradores temem que as demolições mudem a qualidade de vida na área. Com segurança reforçada pelo esquema de câmeras que cercam o bairro, praia limpa diariamente e densa cobertura vegetal entre a areia e as casas, mesmo no inverno Jurerê lembra um condomínio fechado.

Essas características atraem gente do País todo para morar ali – entre elas Paulo André Jukoski da Silva, de 53 anos, o Paulão, medalha de ouro no vôlei na Olimpíada de 1992.

Paulão coordena um centro esportivo no bairro, mantido pela incorporadora Habitasul, mas frequenta o local “há anos”. Para ele, o litígio entre a empresa e a Associação de Proprietários e Moradores de Jurerê Internacional, que propôs a primeira ação civil contra os beach clubs, pode resultar em menos cuidados no bairro.

“A praia e o Passeio dos Namorados (passarela de pedras portuguesas no meio da vegetação que circunda a praia) já não são bem cuidados como antigamente. Isso não poderia mudar”, afirma o ex-jogador.

A associação tem acordo de concessão com a Prefeitura para fazer a zeladoria das áreas públicas do bairro. Até 2015, a Habitasul era uma das associadas e injetava recursos para ajudar na zeladoria, além de ceder espaços para escritórios da entidade. Agora, após os problemas, a associação tem de custear os serviços com verba própria.

“Tem uma passarela que desmoronou há meses e não foi consertada ainda. Antes, não era assim. À noite, tem gente que já não anda no Passeio dos Namorados porque as lâmpadas estão queimadas. No verão, tinha muita sujeira na praia, como nunca teve antes”, reclama o corretor de imóveis Antônio Bandeira, de 61 anos.

A zeladoria continua, diz o presidente da associação, Sérgio Rodrigues da Costa. “Estamos contratando a reforma da passarela.” A Habitasul confirma que deixou de colaborar com a associação.

Outro receio é com o turismo. “A derrubada do hotel e dos beach clubs nos tiraria da lista de dez destinos do País”, diz Vinícius de Luca, secretário de Turismo de Florianópolis. Ele afirma ainda que a manutenção da praia será mantida e não gera custos excessivos à cidade.

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