Morre em SP o senador Romeu Tuma

Vítima de falência múltipla de órgãos, ele estava hospitalizado desde 1º de setembro e tinha recebido um coração artificial havia 23 dias

Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2010 | 00h00

Memória

ROMEU TUMA 1931 - 2010

O senador e veterano delegado de polícia Romeu Tuma (PTB-SP), 79 anos, morreu às 13 horas de ontem vítima de falência múltipla dos órgãos. Tuma estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde havia recebido um coração artificial há 23 dias. Segundo a equipe médica, o coração funcionou, mas o paciente não resistiu a uma infecção.

Candidato à reeleição, o senador foi internado durante a campanha, a contragosto, no dia 1º de setembro. Apresentava então um quadro de faringite infecciosa que o deixou afônico. Uma desidratação causou insuficiência renal e a situação clínica se agravou. Vieram, então, os problemas cardíacos.

Dias antes da colocação do dispositivo de assistência circulatória Berlin Heart, o coração artificial, o senador foi sedado e assim permaneceu durante a maior parte do tempo. Nunca soube do resultado das eleições. Recebeu 3,97 milhões de votos, mas não se reelegeu. Ficou em quarto lugar. "Ele queria muito voltar e lutar, por isso acabamos não tendo coragem de contar isso para ele", disse seu filho e chefe da junta médica que o acompanhou, Rogério Tuma. Segundo ele, o senador evoluiu após a cirurgia, conduzida pelo cardiologista Fábio Jatene, e a sedação foi retirada.

"Ele chegou a acordar, só que na fase em que ele estava acordando não chegou a recuperar a consciência plenamente", afirmou Rogério Tuma. "Ele teve uma piora clínica há três dias. Até três dias atrás a gente conseguia ter contato com ele, não um diálogo profundo, mas ele demonstrava sinais de contato."

O senador deixou quatro filhos e nove netos. Havia completado 79 anos dia 4 de outubro com um histórico de saúde frágil. Há 12 anos sofreu um enfarte. Diabético, vivia à base de dietas restritivas. Era portador de três pontes de safena e havia perdido parte da função cardíaca.

O corpo de Tuma foi velado na Assembleia Legislativa. Familiares e amigos se uniram a políticos e autoridades para prestar homenagem. Por volta das 20h, Além de Rogério, chegaram o ex-secretário nacional de Justiça Romeu Tuma Jr. e o deputado Robson Tuma (PTB-SP), filhos do senador. Junto com eles chegou a viúva de Tuma, Zilda Dirane.

Passaram pelo velório o ex-ministro da Justiça Marcio Thomaz Bastos, representando a presidenciável do PT, Dilma Rousseff, os senadores Pedro Simon (PMDB-RS), Eduardo Suplicy (PT-SP) e Aloizio Mercadante (PT-SP), o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM) e o governador eleito Geraldo Alckmin (PSDB).

Homenagem. Com discursos e um minuto de silêncio, os 16 anos de mandato de Tuma foram lembrados no plenário do Senado. O presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), divulgou nota na qual afirmou que "ao longo de sua rica trajetória na vida pública, o senador Romeu Tuma logrou, por suas excepcionais qualidades, converter-se em ponto de referência para muitas gerações."

Os parlamentares destacaram a "cordialidade" e a "assiduidade" nos trabalhos da Casa, sobretudo como primeiro e único corregedor-geral no decorrer de 14 anos. Marco Maciel (DEM-PE) disse que Tuma deixou no Senado grandes amigos, graças ao "trato ameno" dispensado a todos e ao empenho nas questões sobre segurança pública.

O corpo de Tuma será enterrado no Cemitério São Paulo, , às 15 horas. / COLABOROU ROSA COSTA

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