Mortes por arma de fogo caem 12% no Brasil em três anos

De acordo com o estudo, em 2006 o País registrou cerca de 34,6 mil óbitos por arma contra 39,3 mil em 2003

25 Outubro 2007 | 15h40

O número de mortes causadas por arma de fogo no Brasil caíram 12% entre 2003 e 2006, como mostra o resultado da pesquisa Redução do Homicídio no Brasil, divulgada nesta quinta-feira, 25, pelo Ministério da Saúde. De acordo com o estudo, realizado em parceria com o Ministério da Justiça, em 2006, o País registrou 34.648 óbitos por arma contra 39.325 em 2003.   Em relação às taxas de mortalidade por arma de fogo, a queda foi de 18%, caindo de 22 para 18 óbitos por 100 mil habitantes. Segundo os dados, houve reversão da tendência de aumento de mortes por arma de fogo (Ver tabela 1).   Tabela 1 - Variação no Número de Óbitos por arma de fogo segundo ano – Brasil 2002 a 2006 Ano Óbitos arma de fogo Variação Nº absoluto Variação % Taxa/100mil 2003 39.325 +1.347 +3,5% 22 2004 37.113 -2.212 -5,6% 20 2005 36.060 -1.053 -3,2% 19 2006 34.648 -1.412 -4,0% 18 Redução 2003/2006   -4.677 -12,0% -18% Fonte: Ministério da Saúde   A tendência já havia sido verificada por outra avaliação do Ministério da Saúde, divulgada em 2005, que indicou a redução dos óbitos por arma de fogo coincidindo com recolhimento de armas no País.   Maceió (AL) ocupa o primeiro lugar dentre as maiores capitais com mortes por arma de fogo no País, com taxa de 75,4 mortes por 100 mil habitantes no ano de 2006. Em seguida vem Recife, com taxa de 61,5. Na seqüência, aparecem Vitória (ES), Belo Horizonte (MG) e Rio de Janeiro (RJ), com taxas de 58,9, 35 e 33,4 por 100 mil, respectivamente.   A pesquisa revela que municípios com população acima de 500 mil habitantes concentram 28,7% da população brasileira e responderam por 41% dos óbitos por arma de fogo. No mesmo ano, os municípios com população até 100 mil habitantes concentraram 43% da população brasileira e 28% dos óbitos por arma de fogo.   Violência   De acordo com o estudo do Ministério da Saúde, os homicídios cresceram de maneira contínua no Brasil, entre 1980 e 2003. Na avaliação dos dados, o risco de morte por homicídio no País, no ano de 1980, era de 14 por 100 mil habitantes, atingindo um pico de 28,9 em 2003. Ou seja, a taxa ficou duas vezes maior no período. Já em 2006, o risco cai para 24 por 100 mil habitantes, representando queda de 17% em relação a 2003.   Na década de 1980, foram registrados 230.832 homicídios no País, contra 348.461 na década de 1990. De acordo com o estudo, 92% das vítimas de homicídios são homens na faixa etária de 15 a 39 anos. No ranking das principais causas de mortes entre o sexo masculino, os homicídios ocupam o terceiro lugar, atrás das doenças isquêmicas do coração e doenças cerebrovasculares (Ver tabela 2).   Tabela 2 - Principais causas de óbito em ordem decrescente para o sexo masculino (Brasil/2005) Ordem Causas Número de óbitos Taxa  %     Todas as causas 582.311 642,2   1 Doenças isquêmicas do coração 49.128 54,2 9,4 2 Doenças cerebrovasculares 45.180 49,8 8,6 3 Homícidios 43.665 48,2 8,4 4 Acidentes de transporte terrestre 29.294 32,3 5,6 5 Doenças crônicas das vias respiratórias inferiores 21.738 24,0 4,2 6 Influenza e pneumonia 18.390 20,3 3,5 7 Cirrose e outras doenças do fígado 17.694 19,5 3,4 8 Afecções perinatais 17.001 18,8 3,3 9 Diabetes mellitus 17.504 19,3 3,3 10 Insuficiência cardíaca 15.511 17,1 3,0   A Análise dos custos e conseqüências da violência no Brasil, estudo do Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea), publicado em junho deste ano, estima que, em 2004, o custo da violência no Brasil chegou a R$ 92,2 bilhões, ou 5,09% do Produto Interno Bruto do País.   O cálculo do Ipea leva em consideração gastos ou investimentos públicos e privados, tais como internações, pensões, perdas materiais, aplicação de recurso em segurança, despesas com proteção de carros, entre diversos outros itens.   O estudo deixa evidente o quanto os homens são mais vitimados pelas armas de fogo. Apesar disso, em 16 estados e no Distrito Federal houve queda das taxas de mortalidade por arma de fogo entre as pessoas do sexo masculino. As maiores reduções ocorreram em Roraima (-55,7%) e em São Paulo (-48,3%). Entre os estados que pioraram estão o Amazonas e Alagoas, com aumentos de 85,2% e 59,4%. Também houve crescimento da mortalidade no Pará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Maranhão, Ceará, Bahia e Sergipe (Ver tabela 3).   Tabela 3 - Taxa de mortalidade por arma de fogo, sexo masculino, segundo UF (Brasil - 2003 e 2006)   2003 2004 2005 2006 Evolução 2003/2006 Acre 20,2 16,2 12,4 14,7 -26,9 Alagoas 52,3 50,7 60,0 83,4 59,4 Amapá 56,1 25,6 17,4 23,6 -9,4 Amazonas 11,9 15,3 16,7 22,0 85,2 Bahia 32,9 31,9 31,8 34,2 4,1 Ceará 22,7 23,7 25,3 25,9 14,1 Distrito Federal 51,1 45,9 39,8 35,9 -29,6 Espírito Santo 70,5 69,1 66,2 69,3 -1,7 Goiás 32,8 37,0 34,0 29,2 -11,0 Maranhão 12,2 12,1 17,1 14,0 14,7 Mato Grosso 43,2 33,6 35,5 30,9 -28,5 Mato Grosso do Sul 40,4 35,2 31,2 33,4 -17,4 Minas Gerais 30,3 34,3 32,0 27,0 -11,0 Pará 26,2 28,8 33,8 34,5 31,5 Paraíba 26,6 26,2 30,6 34,9 30,9 Paraná 36,1 38,5 39,8 40,1 11,2 Pernambuco 92,2 80,6 83,0 79,9 -13,4 Piauí 11,9 10,8 11,0 13,9 17,2 Rio de Janeiro 90,1 85,0 80,4 69,9 -22,3 Rio Grande do Norte 22,3 25,2 26,5 27,2 21,9 Rio Grande do Sul 30,8 30,8 30,3 30,4 -1,2 Rondônia 50,8 46,0 47,7 35,6 -29,9 Roraima 23,0 22,8 17,0 10,2 -55,7 Santa Catarina 16,4 14,5 14,4 13,5 -17,8 São Paulo 50,1 39,7 30,2 25,9 -48,3 Sergipe 37,4 31,5 32,3 38,7 3,5 Tocantins 19,1 16,6 13,2 13,1 -31,5 Brasil 42,4 39,4 37,3 35,3 -16,6

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