Morto radialista que apontava elo de tráfico com política

Popular no Rio Grande do Norte, F Gomes foi executado com 6 tiros diante de casa; entidades de classe protestam

Anna Ruth Dantas ESPECIAL PARA O ESTADO CAICÓ (RN), O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2010 | 00h00

O radialista Francisco Gomes de Medeiros, conhecido como F Gomes, foi executado a tiros na porta de sua casa na noite de segunda-feira, em Caicó, a 280 quilômetros de Natal. Ele estava sentado na calçada, quando uma moto se aproximou e um homem fez seis disparos - todos o atingiram.

F Gomes era conhecido em todo Rio Grande do Norte. Apresentava o programa Comando Geral, na Rádio Caicó, e tinha um blog, onde o principal destaque eram as matérias policiais.

No blog, que acabou sendo fonte de vários veículos da imprensa nacional, o radialista afirmava que cabos eleitorais de três candidatos a deputado estadual do Rio Grande do Norte estariam trocando votos por crack nem Caicó. A reportagem sobre o assunto foi publicada no fim de setembro. Depois disso, ele teria começado a receber ameaças de morte.

Minutos antes do crime, o radialista conversava com o cunhado Ronaldo Santiago. Quando este se afastou para ir embora, um homem em uma moto se aproximou e efetuou os disparos. À imprensa, Ronaldo disse que ainda viu o assassino deixar o local do crime. "Ele (F Gomes) foi morto porque clamava por Justiça. Não se cansava de combater o crime, principalmente o tráfico e drogas", afirmou Santiago.

O governador Iberê Ferreira cancelou a agenda e foi a Caicó acompanhar as primeiras investigações. "É questão de honra desvendar o crime", ressaltou o governador. A polícia não tem dúvidas de que F. Gomes foi vítima de uma "execução", e não assalto.

O procurador-geral de Justiça, Manoel Onofre Neto, confirmou que designará uma comissão de três promotores para acompanhar as investigações do assassinato de F Gomes.

Repercussão. A presidente do Sindicato dos Radialistas e Publicitários do Rio Grande do Norte, ao qual era filiado F. Gomes, Edinalva Moura, disse que os colegas do radialista estão "atônitos" com o crime. "Ele era uma pessoa pacata, digna e honesta. Foi uma perda irreparável, mas, infelizmente, enquanto não houver mudanças severas no Código Penal, que do jeito que está só serve para proteger bandidos, eles continuarão a matar, roubar, estuprar e sequestrar porque a impunidade reina no País", lamentou.

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) manifestou, em nota assinada por seu presidente, Emanuel Soares Carneiro, consternação com o assassinato de F Gomes. No documento, a entidade apela às autoridades potiguares que esclareçam o crime e identifiquem os assassinos. "F Gomes, como era conhecido, é mais uma vítima da violência cometida contra jornalistas e veículos de comunicação que buscam cumprir sua missão de informar a sociedade."

A Federação dos Radialistas (Fitert) também emitiu. "Gostaríamos de nos solidarizar com a família do radialista Francisco Gomes de Medeiros, assassinato brutalmente. Exigimos que o crime seja devidamente apurado e que os responsáveis por ele sejam presos", diz a mensagem.

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