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Motorista de caminhão falava ao celular no momento do acidente, diz polícia

Felipe Werneck - O Estado de S. Paulo

29 Janeiro 2014 | 17h 52

Em conversa informal, Luiz Fernando da Costa disse ainda que não percebeu que a caçamba estava levantada

Atualizada às 20h38

RIO - O motorista do caminhão que trafegava com a caçamba levantada e derrubou uma passarela na Linha Amarela, provocando a morte de cinco pessoas na terça-feira, 28, admitiu que usava o celular no momento da colisão. A afirmação foi feita nesta quarta, 29, pelo delegado responsável pela investigação, Fábio Asty, da 44.ª DP, em Inhaúma, na zona norte do Rio. A quinta vítima do acidente morreu no início da manhã: Luiz Carlos Guimarães, de 70 anos, passageiro de um Palio atingido pela passarela, em decorrência de traumatismo craniano e fratura na coluna.

De acordo com Asty, o motorista Luiz Fernando da Costa, de 33 anos, que continua internado e foi ouvido formalmente no hospital, disse que conversava com um amigo cujo filho estaria desaparecido, durante todo o percurso feito pelo caminhão na via expressa, de cerca de 3 km. "Ele admitiu que usava o celular desde o momento em que entrou na Linha Amarela e só interrompeu a conversa após a colisão. Isso pode comprovar o crime culposo (sem intenção) porque ele teria sido negligente ao não ver a caçamba içada", disse o delegado.

Defeito. Ainda de acordo com Asty, o motorista atribuiu o levantamento involuntário da caçamba, que nega ter visto, a um defeito mecânico. Segundo ele, Costa relatou que o caminhão havia sido reparado por um mecânico no fim de semana e entregue na segunda-feira, 27, um dia antes do acidente, após apresentar um defeito na caixa de marchas, que é acoplada ao sistema hidráulico responsável pelo levantamento da caçamba. "Pode ter havido um problema de manutenção. Vamos aguardar o resultado da perícia no caminhão", disse o delegado.

Ele pretende ouvir até o fim da semana o mecânico e o gerente operacional da empresa Arco da Aliança, além do motorista que usou o caminhão na segunda-feira, 27. A perícia ocorreu no início da tarde desta quarta, 29 - o adesivo que indicava que o caminhão estava a serviço da prefeitura do Rio já havia sido arrancado. O telefone do motorista também será periciado, disse o delegado.

Asty disse considerar improvável que Costa tenha acionado o levantamento da caçamba com o caminhão em movimento. Para isso, seriam necessários três movimentos: pisar na embreagem, desacionar uma trava e puxar uma alavanca. "Isso causaria um dano mecânico e um efeito semelhante ao de engatar uma ré." O motorista poderá ser indiciado sob acusação de cinco homicídios culposos (sem intenção de matar) e três lesões corporais culposas. O depoimento ocorreu sem a presença de um advogado do acusado. Costa sofreu danos no fígado, no abdome e há suspeita de problemas cardiovasculares. Ele segue internado, sem previsão de alta.

Protesto. Por volta das 14 horas, taxistas interromperam o tráfego na pista sentido zona oeste da Linha Amarela no local do acidente para protestar contra a falta de fiscalização na via - a manifestação ocorreu logo após o enterro de uma das vítimas, também taxista. Moradores da favela Águia de Ouro, em Inhaúma, precisavam caminhar 500 metros sob sol até a passarela mais próxima para atravessar a Linha Amarela - a maioria das escolas, supermercados e farmácias fica do outro lado da via. Dois moradores da comunidade morreram quando atravessavam a passarela. Motoboys cobravam R$ 2 pela travessia. Pela manhã, dezenas de caminhões trafegavam livremente no horário proibido a esse tipo de veículo, de 6h às 10 horas. O acidente ocorreu às 9h13 da terça-feira, 28. Além do motorista do caminhão, três vítimas do acidente continuam internadas.

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