Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Motoristas em greve no Rio dizem que não é possível atender liminar da Justiça

O Tribunal Regional do Trabalho determinou que pelo menos 70% dos motoristas e cobradores grevistas do Rio voltem ao trabalho ainda nesta terça-feira

Marcelo Gomes, O Estado de S. Paulo

13 Maio 2014 | 18h20

RIO - Representantes do movimento grevista dos motoristas e cobradores de ônibus do Rio de Janeiro disseram, no fim da tarde desta terça-feira, 13,  que não é possível atender a liminar da Justiça do Trabalho que determinou que 70% dos profissionais retornem ao trabalho imediatamente.

Segundo eles, uma nova assembleia da categoria está marcada para as 16 horas de quinta-feira na Igreja da Candelária, no centro do Rio, ocasião em que serão decididos os rumos do movimento. A paralisação de 48 horas começou à 0h desta terça-feira.

"Na última assembleia, quando foi decidida essa paralisação de 48 horas, já foi marcado a próxima reunião para quinta-feira. Não temos como agora reunirmos toda a categoria para colocar 70% dos profissionais na rua", disse o motorista Hélio Alfredo Teodoro. Mas ele garante que todos os motoristas e cobradores vão voltar ao trabalho a partir da 0h de quinta-feira.

Além dele, participaram da entrevista coletiva realizada na sede da CSP-Conlutas, no centro do Rio, advogados da central sindical e outros dois porta-vozes do movimento grevista, o motorista Luiz Fernando Mariano e a cobradora Maura Lucia Gonçalves.

Segundo eles, essa paralisação ocorreu porque na última segunda-feira o sindicato das empresas de ônibus do Rio (Rio Ônibus) se recusou a negociar a pauta de reivindicações dos grevistas durante reunião de conciliação ocorrida na Justiça do Trabalho.

Reivindicações. Os grevistas, que formam uma dissidência do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Urbano (Sintraturb), exigem o fim da dupla função de motorista e cobrador, além de reajuste salarial de 40% e cesta básica de R$ 400. O Sintraturb havia assinado acordo com o Rio Ônibus que garantiu aumento de 10% e cesta básica de R$ 140.

"Esperamos que venham negociar. Estamos abertos a propostas, nossa principal luta é pelo fim da dupla função, porque isso coloca em risco as vidas dos rodoviários e da população", disse Maura Gonçalves.

Segundo os grevistas, a paralisação desta terça-feira teve adesão de 80% da categoria. "A ganância dos donos das empresas de ônibus não tem limites. Querem cortar todos os cobradores e implantar a dupla função. Não são os filhos dos ricos que andam de ônibus. Convocamos a população a se solidarizar. É uma questão de vida, e não apenas econômica. A melhor saída é a negociação", disse Renato Gomes, da Executiva Estadual da CSP-Conlutas.

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