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MP denuncia mais 15 policiais pela morte de Amarildo

Adriano Barcelos - O Estado de S. Paulo

22 Outubro 2013 | 11h 59

No total, 25 policiais foram acusados pela tortura e assassinato do pedreiro, desaparecido no dia 14 de julho na Rocinha, na zona sul do Rio

RIO - A juíza Daniella Alvarez Prado, da 35.ª Vara Criminal, recebeu nessa terça-feira, 22, a denúncia ampliada do Ministério Público contra 25 acusados por envolvimento no sequestro e morte do pedreiro Amarildo de Souza, em 14 de julho, na Favela da Rocinha. Ela também decretou a prisão preventiva dos sargentos Gonçalves dos Santos e Lourival da Silva e do soldado Wagner Soares do Nascimento. Outros dez policiais já estão presos.

"Os delitos imputados são de natureza gravíssima e afrontam toda a sociedade na medida em que as Unidades de Polícia Pacificadora, como o próprio nome indica, foram criadas com o fito de apaziguarem as comunidades dominadas pelas facções criminosas e coibirem o tráfico ilícito de entorpecentes. Ao contrário de sua natureza e dever de integridade a qualquer cidadão, os acusados (...) supostamente tornaram-se tão criminosos quanto os criminosos que perseguiam", escreveu a juíza.

Mais cedo, o Ministério Público acusou outros 15 policiais militares – além dos dez denunciados inicialmente. Os promotores detalharam as torturas e identificaram quatro PMs que teriam tido participação direta em sufocamentos e choques elétricos supostamente aplicados na vítima. Segundo a promotora Carmen Eliza de Carvalho, a partir dos depoimentos de cinco policiais que colaboraram com a investigação, foi possível apontar como participantes da tortura os soldados Anderson Cesar Soares Maia e Douglas Vital, o sargento Reinaldo Gonçalves dos Santos e o tenente Luiz Felipe de Medeiros.

Todos os 25 responderão por crime de tortura. O MP ainda acusa 17 policiais por ocultação de cadáver, 4 por fraude processual e 13 por formação de quadrilha. A promotora detalhou a sequência de fatos que teriam levado à morte de Amarildo. Ele tinha 43 anos quando sumiu. O corpo jamais apareceu. O pedreiro estava em um bar na Rocinha quando foi levado por PMs até a UPP, no alto da favela. O objetivo, segundo ela, era fazer com que contasse onde estariam armas de traficantes.

Sob as ordens do comandante da UPP, major Edson Santos, os PMs levaram Amarildo a uma sala atrás da sede, ainda de acordo com a denúncia do Ministério Público. O major teria dividido os PMs entre os que torturariam Amarildo e os que fariam a segurança. Os outros 12 policiais ficariam dentro de um contêiner, sem poder sair.

Asfixia. Os soldados Maia e Vital, o sargento Gonçalves e o tenente Medeiros aplicaram técnicas de tortura. A denúncia relata que a cabeça do pedreiro foi afundada em balde com água. Ele teria sofrido ainda asfixia com saco, além de choques com pistolas teaser. Ao perceberem que Amarildo morrera, os policiais teriam enrolado o corpo em uma capa de motocicleta. O cadáver foi retirado da UPP pelo telhado e arrastado para a mata que fica nos fundos, diz o MP.

Os promotores não conseguiram até agora descobrir o que foi feito do corpo da vítima. Dos 25 PMs, 8 foram enquadrados por omissão – teriam condições de parar o suplício e nada fizeram. A promotora afirma ainda que o major cometeu fraude processual duas vezes. A reportagem não conseguiu localizar os advogados dos denunciados.

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