Enzo Laiacona/EFE
Enzo Laiacona/EFE

MP pede arquivamento de inquérito por tráfico contra jogador Adriano

Jogador é investigado por envolvimento com traficantes da Vila Cruzeiro, na zona norte do Rio

Solange Spigliatti, Central de Notícias

21 Outubro 2010 | 13h15

SÃO PAULO - O Ministério Público do Rio de Janeiro pediu o arquivamento do inquérito contra jogador de futebol Adriano, investigado pelo suposto envolvimento com os traficantes da Vila Cruzeiro, na Penha, zona norte carioca. A decisão caberá à 26ª Vara Criminal da Comarca da Capital.

 

No pedido de arquivamento, o promotor de Justiça Alexandre Themístocles ressalta que Adriano não foi indiciado ou sequer citado no relatório final da polícia. Cita ainda que, em junho, foi indeferiu os requerimentos de quebra dos sigilos bancário e telefônico do atleta por entender que, até aquele momento, os autos indicavam, em tese, que o jogador havia sido vítima de crime de extorsão.

 

O promotor também considerou nula, como prova, a conversa entre Adriano e seu primo, que deflagrou as investigações em relação ao atleta. Gravada em dezembro de 2009 por meio de interceptação telefônica autorizada pela Justiça, a gravação indica, em princípio, que Adriano foi pressionado por traficantes da favela Vila Cruzeiro, na zona norte carioca, a entregar R$ 60 mil para financiar a festa Natal na favela.

 

A transcrição só foi incluída nos autos, a pedido do promotor, seis meses depois, em 1º de junho de 2010, após divulgação do trecho pela imprensa. Entre os trechos gravados pelas escutas telefônicas autorizadas pela Justiça estão: "Não esquece amanhã cedo de ir lá trocar o negócio [cheque no banco]. Para dar logo essa parada, esse bagulho, para os caras lá", pediu Adriano a um de seus primos, em uma das conversas gravadas pela Polícia dezembro do ano passado.

 

Em seguida, o primo acatou a ordem e respondeu "está bom" ao atacante. Em outra ligação, Adriano diz ao mesmo primo que só tinha R$ 30 mil disponíveis no banco, mas que o cheque tinha sido preenchido com o dobro, R$ 60 mil. "O Marcos, lá do banco, ele 'tá' procurando ver se consegue o dinheiro, porque ele só tem 30 lá. Aí ele falou: 'Pô, Adriano, só tenho 30 aqui, faz um cheque de 30'. Não, o problema é que eu fiz um cheque de 60. Aí ele: 'Tranquilo, então eu vou tentar ver aqui e te falo'. Espera ele me ligar pra ver se consegue esse dinheiro e eu te ligo", comentou.

 

Antes de promover o arquivamento, o MP-RJ realizou uma série de diligências, como a oitiva do jogador e o pedido de quebra de sigilo de seus dados bancários. Na época, Alexandre Themístocles solicitou também que a Justiça tomasse providências junto à Corregedoria de Polícia Civil sobre o vazamento de informações para a imprensa, que dizem respeito a interceptações telefônicas.

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