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Mulher de Amarildo diz que não desistirá de procurar restos mortais do marido

Thaise Constancio - O Estado de S. Paulo

12 Março 2014 | 16h 46

Elizabete Gomes da Silva chegou ao fórum do Rio para acompanhar a retomada de audiência do processo em que 25 PMs são acusados de envolvimento no sumiço do ajudante de pedreiro

RIO - A mulher do ajudante de pedreiro Amarildo Dias de Souza, Elizabete Gomes da Silva, de 48 anos, afirmou nesta quarta-feira, 12, que não vai desistir de procurar o corpo do marido. Bete, como é conhecida, chegou ao fórum do Rio para acompanhar a retomada da audiência de instrução e julgamento do processo em que 25 policiais militares são acusados de participação no sumiço e morte presumida de Amarildo às 14 horas, acompanhada do advogado João Tancredo. Dessa vez, nenhum dos filhos com Amarildo compareceu à sessão.

"Quero que pelo menos os policiais que torturaram Amarildo e acabaram com a vida dele falem o que fizeram com os restos mortais. Meu marido sumiu nas mãos dos policiais e não voltou nunca mais. Já vai fazer oito meses", disse Bete, pouco antes de entrar na sala de audiência, na 35.ª Vara Criminal do Rio.

A expectativa é de que algumas das testemunhas arroladas pelo Ministério Público, que seriam ouvidas nesta quarta-feira, 12, sejam dispensadas.

Amarildo está desaparecido desde a noite de 14 de julho do ano passado, quando foi conduzido de sua casa à sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, na parte alta da favela, "para averiguação".

"O que aconteceu com meu marido não é justo. Então a família não pode desistir de nada", completou a mulher do pedreiro. "O problema está com eles (policiais), não comigo. Então tenho que ficar tranquila."

Justiça. O processo tramita na 35.ª Vara Criminal do Rio. Na primeira sessão da audiência, em 22 de fevereiro, foram ouvidas três das 19 testemunhas de acusação: os delegados Rivaldo Barbosa e Ellen Souto, e o inspetor Rafael Rangel. Lotados na Divisão de Homicídios (DH), os três estiveram à frente das investigações.

Nesta quarta-feira, a juíza Daniella Alvarez Prado continuará a ouvir testemunhas arroladas pelo Ministério Público. Caso não haja tempo para todos os depoimentos, uma nova sessão será marcada. Depois, prestarão depoimento as testemunhas de defesa dos réus. Ao final, os réus serão interrogados.

Dos 25 PMs, 13 aguardam o julgamento presos preventivamente. Eles respondem pelos crimes de tortura seguida de morte, ocultação de cadáver, formação de quadrilha e fraude processual.

Sumiço. O pedreiro Amarildo está desaparecido desde a noite de 14 de julho do ano passado, quando foi conduzido por PMs de sua casa à sede da UPP "para averiguação". O corpo jamais foi localizado.

Em fevereiro deste ano, a 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça declarou a morte presumida de Amarildo. A morte presumida substitui o atestado de óbito, e permite à família receber pensão ou indenização.