Mulher de preso morto vai processar Estado

A doméstica Jaqueline Leandro Santana, de 26 anos, mulher do preso Anderson Munir da Silva, de22, que morreu terça-feira, no Hospital Penitenciário, denunciou maus-tratos sofridos pelos detentos da unidade. Silva morreu depois que o médico retirou o tubo de traqueostomia pelo qual ele respirava. As más condições do hospital foram atestadas em visita feita em setembro pelo Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe). Ela diz que processará o Estado. ''''Não vou deixar impune. Vou fazer de tudo para que eles paguem.'''' Ela conta que seu marido levou sete tiros em 10 de maio quando foi roubar um carro. ''''Tinha um policial dentro dele.'''' Silva ficou dois meses no Hospital do Grajaú, onde foi ''''muito bem tratado'''' antes de ser transferido ao Hospital Penitenciário. Ali, Jaqueline via o marido toda sexta-feira. ''''Toda vez que chegava, ele estava com falta de ar. Respirava com aquele tubo.'''' No Grajáu, segundo ela, os médicos disseram que Silva devia fazer inalação três vezes por dia, mas no hospital penitenciário não fez. ''''Não tomava remédio e tinha de fazer raios X e fisioterapia, mas nunca fez.'''' De acordo com a mulher, não tiravam nem mesmo as secreções do tubo de traqueostomia. Cada vez que o preso passava mal, o socorro demorava de 40 minutos a uma hora. ''''Meu marido morreu porque não foi socorrido. O médico tirou o tubo e não deu assistência na hora.'''' SECRETARIA A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) informou ontem que a morte de Anderson da Silva foi decorrente de ''''insuficiência respiratória aguda'''' e que ''''a apuração preliminar já foi instaurada, comum a todos os casos de óbitos na Unidade para averiguar possível falha funcional''''. A SAP nega as denúncias feitas pelo Condepe sobre as más condições de funcionamento do Hospitalar Penitenciário. Em nota oficial, a secretaria diz que ''''não procede a informação de que gestantes ficam em contato direto com pacientes que têm doenças contagiosas.'''' Também nega que os presos cuidem dos outros presos: ''''A situação foi corrigida com a implantação das novas regras de segurança. Os cuidados são providenciados pela equipe de enfermagem.'''' A nota afirma que a medicação é preparada fora dos pavilhões, que o hospital tem 115 funcionários, entre médicos, enfermeiros e outros. Diz ainda que o hospital passou por ''''reforma, aumentando a capacidade para 378 leitos, semi-UTI e centro cirúrgico''''. A reportagem solicitou visitar o local ontem à noite, mas a SAP respondeu que, ''''por questões de segurança e devido ao horário'''', o pedido não seria atendido.

Felipe Grandin, O Estadao de S.Paulo

05 Outubro 2007 | 00h00

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