Munhoz não descarta ''fogo amigo'' na origem de denúncias

Deputado tucano acredita que alguém de seu convívio político ajudou a divulgar ações em que [br]é réu ou investigado

Lucas de Abreu Maia e Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

23 Março 2011 | 00h00

O deputado Barros Munhoz, do PSDB, presidente da Assembleia de São Paulo, está convencido de que a saraivada de denúncias contra ele, envolvendo-o em atos de improbidade, teve origem na pequena Itapira (SP), cidade que administrou em três mandatos. Mas não afasta a possibilidade de ter sido alvo de "fogo amigo", alguém de sua legenda ou de partido aliado, que queria intimidá-lo com a divulgação das ações judiciais em que é réu ou investigado - são 22 no total -, como vem ocorrendo desde que foi reconduzido ao posto, há duas semanas.

"A origem é lá", disse Munhoz, apontando para a cidade a 170 quilômetros da capital hoje governada por rivais. "Agora, eles, sozinhos, dificilmente motivariam os jornais a entrar, como entraram, na divulgação dos fatos. Pode ter sido (fogo amigo)."

Munhoz recebeu o Estado ontem, em seu gabinete. A seu lado estava o deputado Campos Machado (PTB), articulador da vitória do tucano - aclamado por 92 dos 94 parlamentares da Casa para mais dois anos no poder.

As ações judiciais, supõe Munhoz, são fruto de "perseguição pessoal e política de um ou dois promotores". O Ministério Público o acusa de favorecer a Brinquedos Estrela e um fazendeiro por meio de contratos especiais. A fábrica se instalou em terreno doado por ele. O fazendeiro teve parte de sua propriedade alugada para a construção de um hotel chamado Esperança. Em outra demanda, o deputado teve os bens bloqueados.

"A necessidade de criar empregos e receitas no município era aguda", argumentou Munhoz. "Elaboramos um plano de industrialização e criação de empregos na área rural. Surgiu o Hotel-Fazenda, que não é simplesmente um hotel. Chamava-se projeto Esperança porque tinha um plano de cafeicultura para gerar emprego. O hotel não era para dar lucro à prefeitura, mas para dar apoio a todo esse programa de desenvolvimento."

Munhoz atacou a atual administração. "Depois de cinco anos, fecharam o hotel. Do jeito que eles administravam tinha de dar prejuízo", acusa. "Podia perfeitamente dar lucro, mas usaram muito mal: festas e mais festas. Estou preparando ação. Destruíram um empreendimento que havia dado certo."

Para o tucano, as denúncias são fruto de "empolgação" dos promotores. "Alguns jovens promotores, empolgados com o poder incomensurável, acabam querendo fazer as vezes de prefeito", disse. "No caso da Estrela não houve risco de nada. Tudo foi ultraplanejado. O prédio é da prefeitura, o terreno é da prefeitura. São 800 empregos diretos. 56 empresas foram ajudadas. O ICMS para o município, que era de R$ 14 milhões em 2003, agora é de R$ 35 milhões."

Munhoz fez um desabafo. "Eu fui chefe do escritório da Petrobrás em São Paulo, secretário da Agricultura e Abastecimento, ministro da Agricultura. Administrei orçamento de R$ 50 bilhões. Assinei centenas de ordens de compras, licitações e serviços e nunca tive um ato acusado de irregular. Todas as minhas contas aprovadas pelas corregedorias próprias e pelo Tribunal de Contas do Estado e da União. São 32 anos de honestidade, honradez, integridade, transparência. De repente, por três anos fui bandido, quadrilheiro. Não é verossímil. Sabe em quantos inquéritos fui ouvido? Nenhum."

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