Vitor Tavares/Estadão
Vitor Tavares/Estadão

Na abertura do carnaval do Recife, sai o maracatu, entra o frevo

No dia do aniversário do ritmo mais famoso de Pernambuco, folia homenageia sua história no Marco Zero da capital do Estado

Vitor Tavares, O Estado de S.Paulo

09 Fevereiro 2018 | 23h36

RECIFE - Com o frevo como protagonista, o carnaval do Recife teve início oficialmente nesta sexta-feira, 9. Cortejo de orquestras, passistas e o resgate da história do ritmo marcaram a noite do Marco Zero da cidade, reunindo os saudosos dos carnavais de antigamente e os novos foliões. 

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Apesar de o ritmo ser considerado o símbolo da folia pernambucana, nem sempre ele foi a estrela da abertura. Há 16 anos, o encontro dos maracatus comandava a festa, sempre sob a regência do percussionista Naná Vasconcelos, que morreu em 2016. Neste ano, já que a data da abertura do carnaval coincidiu com a data de aniversário do frevo, a prefeitura resolveu a fazer mudança - alvo de críticas das nações de maracatu, que, tradicionalmente, têm menos visibilidade. O dia do maracatu no Marco Zero foi antecipado para a quinta-feira, 8.

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No palco, o tradicional grupo pernambucano Quinteto Violado foi o responsável por mostrar a história do frevo, desde a festa de rua com passos de capoeira e grandes guarda-chuvas (que mais tarde viraram as sombrinhas pequenas e coloridas que conhecemos hoje) às intervenções mais modernas dos trios elétricos e até com batidas eletrônicas.

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O músico Marcelo Melo, um dos integrantes e fundadores do Quinteto, defendeu a importância do frevo na abertura do carnaval. "O frevo tem um significado muito grande. Nada mais justo que no dia nacional do frevo, ele ser homenageado. Não custava nada o maracatu fazer um dia e o frevo, o outro", disse ao Estado

O show, que foi pensado para "apresentar" o ritmo, contou com representantes de diversos blocos da cidade, como os tradicionais líricos, e trouxe alguns dos grandes nomes que defendem o frevo atualmente, como os maestros Spok e Forró. Tudo ilustrado com imagens históricas dos antigos carnavais.

Foi com essas imagens que alguns foliões relembraram um pouco também da própria história. Aos 80 anos, Maria José dos Santos era uma das primeiras no alambrado. Trouxe a neta, Daniele, de 7, para curtir o carnaval. "Eu amo o de hoje, o de antigamente e quero que ela carregue isso nos sangue", disse, enquanto identificava algumas cenas em preto e branco no telão.

A cantora Elba Ramalho, que participa do show dos homenageados do carnaval deste ano - os cantores Nena Queiroga e J Michilles -, ainda não tinha nem subido no palco quando já previa o que encontraria ali no público.

"O bom é que une as gerações. A gente vê as avós cantando frevo, vê os menores que aprendem na escola e dançam aqui. Não é a toa. Existe história", disse Elba.

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