Na Câmara, PT deve crescer e superar PMDB

Tendência é de que a coligação governista mantenha o número de deputados; PSDB e DEM vão perder mais cadeiras

José Roberto de Toledo, O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2010 | 00h00

O Ibope prevê que a nova bancada do PT na Câmara dos Deputados deve superar, por pouco, a do PMDB em número de cadeiras. Já os dois principais partidos de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PSDB e o DEM, devem perder, juntos, de 19 a 30 deputados.

A projeção do instituto, porém, não é boa para todos os partidos governistas. O PMDB pode até diminuir de tamanho. Somadas as bancadas, as nove siglas que compõem a coligação de Dilma Rousseff (PT) devem manter os mesmos 58% de votos que detêm hoje na Câmara.

Além de PT e PMDB, os partidos que participam da coligação dilmista são PR, PSB, PDT, PSC, PC do B, PTC e PRB. Para chegar à maioria constitucional de 60%, um eventual governo Dilma precisaria negociar o apoio de ao menos uma legenda média, como o PP.

A tarefa de articulação de uma maioria do eventual governo de José Serra (PSDB) seria muito mais complicada. Os seis partidos que compõem sua coligação (PSDB, DEM, PPS, PMN, PTB e PT do B) devem somar, segundo o Ibope, apenas 27% dos deputados, ante os 30% que têm hoje.

Para compor maioria estável que lhe desse governabilidade, Serra, se eleito, teria de atrair para seu bloco o PP e praticamente todos os pequenos partidos. Mesmo assim, não teria votos suficientes para promover mudanças na Constituição - salvo se conseguisse romper a aliança que hoje dá sustentação a Lula.

Se for eleita presidente, não restará opção a Marina Silva (PV) além de montar um governo de coalizão com os grandes partidos. Com os deputados do PV ocupando apenas 2% das cadeiras e sem outras siglas coligadas, um governo Marina dependeria de seus adversários do PT e/ou do PSDB para compor maioria na Câmara e no Senado.

A projeção das bancadas de deputados federais é feita pelo Ibope com base na citação de nomes de candidatos a esses cargos acumuladas durante as várias rodadas de suas pesquisas eleitorais em todas as unidades da Federação. São levadas em conta também as citações da legenda.

Com base nisso, o instituto estima o quociente eleitoral necessário à eleição de um deputado federal em cada Estado, distribui o número de cadeiras proporcionalmente à votação total de cada coligação e, finalmente, classifica os candidatos mais citados dentro da chapa e confere a que partido pertencem.

Das 513 vagas da Câmara, o Ibope projetou a distribuição de 454 entre os partidos. As 59 restantes ficaram indefinidas porque houve muitos candidatos com a mesma quantidade de citações, tornando impossível prever quais deles seriam eleitos e quais ficariam fora.

Para tornar possível esta análise, levou-se em conta o número mínimo de cadeiras que cada partido deve obter, segundo a projeção do Ibope, e, em seguida, manteve-se essa mesma proporção para distribuir as 59 cadeiras indefinidas.

Por essa conta, o PT ganharia de 6 a 8 vagas, enquanto o PMDB perderia a mesma quantidade. Somados, os dois partidos manteriam o mesmo terço de deputados federais que detêm hoje juntos. O PSB teria o maior crescimento: ao menos 8 novos deputados.

Mas não é certo que a distribuição das cadeiras remanescentes obedecerá à mesma proporção da projeção das outras 454. Em tese, um partido pode ser mais beneficiado do que outro, o que pode aumentar ainda mais a bancada petista, ou diminuir as perdas dos tucanos, por exemplo.

A projeção do Ibope aumenta a dispersão das cadeiras da Câmara, que passariam a ser distribuídas entre 23 legendas (hoje são 19). Os partidos nanicos, com bancadas inferiores a 10 deputados, ficariam com 28 a 32 vagas, ante as 19 que detêm atualmente.

Sem alterações. Entre os partidos pequenos e médios, como PPS, PDT, PTB e PC do B, o Ibope projeta que não haverá alterações significativas nos tamanhos das bancadas, com a perda ou o ganho de no máximo uma a três cadeiras para cada um.

Já o PSDB e, principalmente, o DEM deverão ter bancadas mais parecidas em tamanho com os intermediários PP, PR e PSB do que com o PT e PMDB.

Essas duas últimas agremiações serão as únicas que, se confirmadas as projeções do Ibope, poderão reivindicar o título de grandes partidos na Câmara. E deverão protagonizar as principais disputas pelos cargos mais importantes da Casa, como a presidência.

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