Na CCJ, João Paulo diz que mensalão o ''atormenta''

Petista afirma que escândalo mudou sua vida, mas que crê ''no direito e na justiça''

Eduardo Bresciani, O Estado de S.Paulo

03 Março 2011 | 00h00

Eleito ontem para comandar a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), uma das mais importantes da Câmara, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) afirmou que o processo judicial sobre o escândalo do mensalão, do qual é réu no Supremo Tribunal Federal (STF), o "atormenta". Indicado pelo PT para o cargo, João Paulo foi eleito com 54 votos.

O parlamentar petista afirmou ainda que os colegas podem ficar "com a consciência tranquila", pois sua vida é "absolutamente limpa".

Apenas dois deputados votaram em branco. Sua escolha pelo PT se deu após um processo de disputa interna com Ricardo Berzoini (SP). Por um acordo interno do PT, João Paulo ocupará a presidência este ano e Berzoini em 2012.

O novo presidente da CCJ é réu no Supremo Tribunal Federal por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e peculato. O julgamento pode ocorrer ainda neste ano.

Em seu discurso de posse, João Paulo destacou a importância da comissão, que existe desde a independência do Brasil, citou ex-presidentes e partiu direto para o tema polêmico. "Vocês sabem que eu respondo a processo no STF, não poderia deixar de mencionar isso", disse. "Esse processo, que me atormenta muito, mudou a minha vida, mas eu tenho muita fé e convicção no direito e na Justiça de que, em breve, nós o resolveremos por completo." E afirmou que não deseja a ninguém o que está passando.

João Paulo comparou o processo do mensalão a uma guerra e reclamou que sua família acabou envolvida nas acusações. Sua mulher, Márcia Regina, apareceu numa lista de pessoas que estiveram no Banco Rural em um shopping de Brasília, onde foram realizados saques para o esquema.

Na época, o deputado afirmou que ela foi apenas pagar uma conta de TV a cabo. Depois admitiu um saque de R$ 50 mil para ser destinado à campanha do PT em Osasco, sua base eleitoral.

Enquanto na CCJ a vitória do indicado foi quase unânime, na Comissão de Educação e Cultura uma disputa entre PT e PMDB impediu a eleição de Fátima Bezerra (PT-RN). O PMDB quer a criação de uma comissão especial para avaliar o Plano Nacional de Educação, mas ainda não há definição sobre o caso. Por isso, a bancada do PMDB pediu que a escolha da presidência da comissão ficasse para depois do carnaval.

Tiririca. À parte os discursos e negociações, a comissão ganhou destaque pela presença do deputado Tiririca (PR-SP), que tomou posse como titular. Sentado na primeira fila, com ar sério durante quase toda a reunião, o humorista ouviu elogios e mensagens de apoio dos colegas.

Na saída, o deputado disse ter muita "vivência" e destacou sua atuação artística. Ele afirmou que seu primeiro projeto será voltado para o circo e os artistas populares. Questionado sobre sua seriedade durante a reunião da comissão, Tiririca pediu para não ser confundido com o palhaço que representa. "Vocês confundem o palhaço no trabalho lá com aqui. Aqui é outra coisa, não pode brincar aqui porque tem o negócio do decoro."

Na Comissão de Turismo e Desporto, o ex-jogador de futebol Romário (PSB-RJ) foi confirmado como vice-presidente de Jonas Donizette (PSB-SP), que vai comandar o grupo. Já na Comissão de Meio Ambiente o presidente será Giovani Cherini (PDT-RS), da bancada ruralista.

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