Na rua, Lula anota pedido de sem-teto

Grupo consegue apoio da ministra Dilma Rousseff e encerra a ocupação em São Paulo, mas não no Rio

Valéria França, O Estadao de S.Paulo

03 Outubro 2007 | 00h00

Depois do estardalhaço causado pelas manifestações organizadas na segunda-feira por quatro centrais de sem-teto, em 15 cidades de 14 Estados, representantes do movimento conseguiram ser atendidos informalmente ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Brasília, diante do Palácio da Alvorada, em Brasília. Lula conversou na rua com líderes da Central de Movimentos Populares e anotou as reivindicações sobre reforma urbana e direito a moradia digna. Eles participaram da reunião com Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil, e Paulo Bernardo, ministro do Planejamento. E saíram satisfeitos com algumas posições do governo. Os movimentos querem ter acesso aos recursos do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS) e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) previstos para habitação social. "A ministra Dilma topou apoiar a medida provisória de repasse direto de recursos do FNHIS", disse Raimundo Bonfim, do Movimento de Moradias Populares de São Paulo. "Queremos 25% dos recursos, o que daria R$ 100 milhões para 2008." Bonfim crê que, com o apoio do governo ,a medida passe mais rápido pelo Congresso. "Sempre lutamos pelo FNHIS. Agora, na reta final, o fundo passou a ser um distribuidor de dinheiro para os de sempre: o governo dos Estados, municípios e empreiteiras", disse Luiz Gonzaga da Silva, integrante da direção nacional da Central de Movimentos Populares, à Agência Brasil. Os líderes saíram com a certeza de que serão atendidos numa segunda reunião a ser marcada entre os dias 8 e 10 de outubro, para tratar sobre o repasse de prédios e terrenos desocupados da União - estima-se um total de 5 mil imóveis no País. Dos atos públicos realizados anteontem, houve ocupações apenas em São Paulo e no Rio. A reunião em Brasília foi positiva especialmente para os paulistanos acampados no prédio do INSS. Eles conseguiram a promessa de que as obras de reforma dos prédios da Avenia 9 de Julho, no centro, e na Rua Maria Domitila, no Brás, na zona leste, começam em breve. E com isso, os últimos ocupantes deixaram o edifício do INSS, na Rua Santa Ifigênia, no centro. O segundo dia de ocupação no prédio do antigo Cine Vitória, no centro do Rio, foi de tranqüilidade. A empresa de engenharia que é proprietária do edifício, tombado pelo patrimônio histórico, entrou com liminar pedindo a reintegração de posse. COLABOROU FABIANA CIMIERI

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