''Não posso responder pelo passado'', diz Obama

SANTIAGO

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

22 Março 2011 | 00h00

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não conseguiu motivar a plateia do Centro Cultural da Casa da Moeda com o "emblemático" discurso para a América Latina. A Casa Branca esperava obter uma calorosa acolhida à menção da transição democrática do Chile como um exemplo e tornar esse discurso tão célebre quanto sua fala no Cairo ao mundo árabe, em 2009. A reação foi contrária. Minutos antes, em entrevista ao lado do presidente chileno, Sebastián Piñera, Obama havia se recusado a fazer mea culpa pelo apoio dos Estados Unidos ao golpe de Estado de 1971.

"A história das relações entre os EUA e a América Latina foi, por várias vezes, extremamente pedregosa. Não posso falar por todas as políticas do passado", desconversou Obama, no pátio do palácio onde o então presidente Salvador Allende foi morto e substituído pelo ditador Augusto Pinochet. "Posso falar das políticas do presente e do futuro."

O apoio dos EUA a Pinochet está no topo da agenda política do Chile, motivada pelos 40 anos do golpe. O senador socialista Juan Pablo Letelier afirmara que seria essencial um pedido de desculpas de Obama. Ele é filho de Orlando Letelier, chanceler de Allende assassinado em 1976, no exílio em Washington, por agentes de Pinochet.

Esse não foi o único constrangimento de Obama. Ainda na entrevista, o próprio Piñera o provocou a fazer aprovar no Congresso americano os acordos de livre comércio firmados com a Colômbia e o Panamá, ainda pendentes. Piñera acentuara o desejo de ver aperfeiçoado o acordo entre Chile e EUA, dos anos 90.

No discurso, Obama admitiu o fato de os EUA terem "criado problemas" na América Latina, com base em "escolhas equivocadas". E lembrou que países como Brasil e Peru fizeram reformas difíceis, mas necessárias. "Não há mais o estereótipo da região em conflito perpétuo e em um ciclo de pobreza sem fim."

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