'Não tem acordo no nosso governo', afirma Sérgio Cabral

Mortos em confrontos com polícia aumentam porque antes se convivia com o crime, diz governador do Rio

Felipe Werneck, O Estado de S. Paulo

09 Novembro 2009 | 19h17

Ao comentar o aumento do número de mortos em alegados confrontos com policiais durante sua gestão, o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) afirmou nesta segunda-feira, 9, que acabou com o "falso clima de paz que prevalecia no Rio". "Não tem acordo no nosso governo. Ponto final", afirmou o governador, insinuando que antecessores (ele não citou nomes) teriam estabelecido um pacto com criminosos. Reportagem publicada nesta segunda pelo Estado mostrou que policiais do Rio mataram, segundo registros oficiais, 10.216 pessoas em 11 anos e 9 meses, até setembro, último dado disponível sobre os chamados "autos de resistência". Sob Cabral, foi registrada a maior média: 3,3 mortos por dia.

 

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"Autos de resistência, se têm aumentado, é em função evidentemente de políticas anteriores que conviviam com o crescimento do poder paralelo sem uma ação da polícia. Tudo o que nós queremos é enfrentar o poder paralelo e ganhar a luta sem dar um tiro sequer, e muitas vezes temos feito isso. Mas há ações em que a polícia é recebida à bala", declarou o governador.

 

"Tudo o que eu gostaria é que esses delinquentes não reagissem, como reagiram recentemente abatendo um helicóptero ou jogando granada. O que você como cidadão prefere, que a polícia volte àquela época em que a milícia prosperava e o tráfico crescia, se enraizava nas comunidades?" Em seguida, o governador repetiu que em "alguns momentos" tem de haver o "embate" para "enfraquecer o tráfico e permitir que amanhã as comunidades vivam em paz."

 

Cabral participou do lançamento, na favela Nova Brasília, no Complexo do Alemão, zona norte, do Pronasci Móvel, projeto do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania, do Ministério da Justiça, para levar órgãos de proteção e defesa do consumidor à população local.

 

O ministro Tarso Genro também estava lá. "Aquele modelo policial do `entra, atira, bate e sai' está superado. O Pronasci nasce da constatação de que esse modelo é só de contenção. Não é um modelo que altera as relações de Estado com a comunidade através de um projeto que combine ações de cidadania com ações de presença policial ostensiva permanente. O Rio é um símbolo dessas mudanças com as UPPs (Unidades de Policiamento Pacificadoras) já instaladas", declarou o ministro.

 

Para o sociólogo Ignacio Cano, a categoria auto de resistência, criada durante a ditadura, deve acabar. "Isso foi criado para evitar a prisão em flagrante do policial e a fiscalização sobre as mortes", afirmou. "Antes (de 1998) essas mortes não mereciam contagem. Hoje continuam sem aparecer quando são apresentadas as estatísticas de homicídios. Deveriam ser classificadas como homicídios cometidos por policiais."

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