'Não terá grande consequência na eleição', diz Serra

Tucano nega ter telefonado para Gilmar Mendes, do STF, e diz ter estranhado decisão do PT de questionar a lei às vésperas da votação

Clarissa Thomé / RIO, O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2010 | 00h00

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, disse ontem que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de derrubar a exigência de dois documentos para o eleitor votar não terá "grande consequência" para o resultado da eleição, mas afirmou ter estranhado a decisão do PT de questionar a lei às vésperas da votação. "O PT entrou na última hora porque deve achar que o voto menos controlado o favorece."

O tucano fez um passeio num shopping de Copacabana, na zona sul do Rio, horas antes do debate presidencial na Rede Globo. Ele foi lacônico ao responder se havia mesmo conversado com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na tarde de quarta-feira. Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, Serra teria pedido para que um assessor telefonasse para Mendes e, momentos depois, o ministro pediu vistas do processo, interrompendo a votação que estava 7 a 0 a favor do pedido do PT. "Não. (Mas) se tivesse (telefonado) não teria nada demais", resumiu Serra, que preferiu não se estender sobre o assunto.

Debate. O candidato passou o dia no Sofitel, na Praia de Copacabana, cercado por assessores. Serra, no entanto, disse que não estava se preparando para o debate. "Eu estava descansando." De acordo com o presidenciável, o debate é importante porque ajuda a iluminar a cabeça do eleitor. Para ele, as pessoas estão decidindo seu voto neste momento.

Serra se disse satisfeito com a campanha e afirmou estar convencido de que irá para o segundo turno. Comentou ainda o nível da campanha e afirmou que três candidatos expuseram e apresentaram propostas. "A candidata do PT se escondeu, seja atrás do presidente da República, seja atrás do aparato partidário, seja não comparecendo a debates e entrevistas", criticou.

Por volta das 18 horas, Serra desceu do quarto onde estava hospedado e, por uma passagem interna, chegou ao Shopping Cassino Atlântico, onde o comércio é restrito a galerias de arte, joalherias e lojas de antiguidade. Ele foi cumprimentado por pessoas que passeavam no local, tirou fotos ao lado de crianças e lojistas e ganhou o livro Tucanos do Brasil, do dono de uma das galerias de arte.

Mais cedo, a assessoria do candidato havia cogitado a hipótese de ele passear pelo Forte de Copacabana, em frente ao hotel, mas foi alertada sobre a proibição de fazer campanha em prédios públicos. O próprio Serra optou então pela ida ao shopping, em vez de passear no calçadão de Copacabana.

Controle

JOSÉ SERRA

CANDIDATO DO PSDB

"O PT entrou na última hora porque deve achar que o voto menos controlado

o favorece"

"Não (telefonei para o ministro Gilmar Mendes). (Mas) se tivesse (telefonado) não teria nada demais"

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