Nas urnas, equilíbrio de ruralistas e sem-terra

Número semelhante de políticos eleitos que representam os dois movimentos promete acirrar votações na Câmara e no Senado a partir de 2011

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2010 | 01h00

Qualquer que seja o resultado do segundo turno, representantes dos ruralistas e dos movimentos sociais de luta pela terra nos parlamentos vão travar uma disputa equilibrada no próximo governo. Os dois lados admitem que as forças, a partir de 2011, vão ficar mais iguais do que eram em legislaturas anteriores.

A bancada ruralista sofreu baixa numérica, mas teve um ganho qualitativo, segundo as lideranças. Os grupos sociais liderados pelo Movimento dos Sem-Terra (MST) consideram-se beneficiários do crescimento do PT, que ampliou as bancadas na Câmara e no Senado. "Houve uma renovação alvissareira", comemorou, em nota, a direção nacional do movimento.

Os dois lados defendem posições antagônicas sobre o agronegócio e a questão fundiária. O MST quer a limitação no tamanho da propriedade e a revisão nos índices de produtividade para fins de reforma agrária. Os ruralistas, por sua vez, defendem menor rigor na legislação florestal e revisão da dívida do campo.

Reeleitos. O setor rural reelegeu 147 dos 241 integrantes da Frente Parlamentar Agropecuária, sofrendo uma redução de 38,6% no quadro. Dos 94 que ficaram fora, 76 tentavam a reeleição e não conseguiram os votos.

Em compensação, a base no Senado ganhou nomes de peso, como os ex-governadores Blairo Maggi (PR), de Mato Grosso, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), de Santa Catarina, e Ivo Cassol (PP), de Rondônia, além do deputado Irajá Abreu (DEM-TO), filho da senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.