Necropsia de engenheiros achados mortos no Peru não aponta causas

Amostras de sangue, pele e outros órgãos foram retiradas e resultado pode sair em três semanas

Lisandra Paraguassu, O Estado de S. Paulo

28 Julho 2011 | 19h49

BRASÍLIA - A necropsia dos corpos de Mário Gramani Guedes e Mário Augusto Soares Bittencourt, os dois engenheiros brasileiros encontrados mortos no Peru, terminou na madrugada desta quinta-feira, 28, em Bagua Grande, no Peru, sem que se pudesse concluir a causa das mortes.

 

De acordo com informações do Itamaraty, foram feitos todos os exames físicos possíveis e nada foi encontrado que pudesse dar indicações da causa das mortes. Amostras de sangue, pele e outros órgãos foram retiradas para que pudessem ser examinadas fora da cidade, onde os recursos são limitados. No entanto, a previsão de um resultado é de pelo menos três semanas.

 

Os corpos permanecem na cidade onde foram examinados e ainda não há decisão sobre quando serão retirados de lá, apesar de a Leme Engenharia - empresa para o qual os dois trabalhavam - já ter enviado um avião para a região. De acordo com informações obtidas pelo Estado, as famílias dos dois engenheiros querem que um segundo exame seja feito. Inconformados com a falta de resultados, os parentes das vítimas ainda estudam, junto com a Engenharia Leme, o que pode ser feito.

 

A dúvida é como e onde podem ser feitos mais exames e que tenham resultados mais imediatos do que as três semanas previstas pelos médicos peruanos para obter alguma resposta pelas amostras retiradas dos corpos. Existe a possibilidade de as vítimas serem trazidas para o Brasil para passarem por mais uma necropsia ou então serem levadas a Lima, onde outro exame seria feito.

 

No entanto, para que os corpos sejam retirados de Bagua Grande eles teriam que ser embalsamados. Essa preparação pode prejudicar quaisquer evidências que poderiam levar à causa da morte. Um parente de pelo menos um dos engenheiros deve ir para o Peru - o assunto está sendo tratado diretamente com a Engenharia Leme - para que a decisão seja tomada. Enquanto isso, os corpos devem ficar em Chiclayo, cidade com maior estrutura próxima a Bagua Grande.

 

Um representante da embaixada brasileira no Peru está em Bagua e acompanha o caso. A preocupação do Itamaraty é que, no dia da posse do presidente eleito Ollanta Humala - a qual a presidente Dilma Rousseff está presente - a decisão sobre novos exames não passe a imagem de que o Brasil não confia no trabalho que está sendo feito pelo governo peruano. Ao mesmo tempo, a intenção do governo brasileiro é que seja dada uma satisfação às famílias dos engenheiros o mais rapidamente possível.

 

Guedes e Bittencourt foram encontrados na última quarta-feira em uma estrada no Norte do Peru, a 2.800 metros de altitude. Os dois estavam desaparecidos desde segunda-feira, quando saíram para trabalho de campo junto com outra dupla de engenheiros. Os dois estavam na região, que fica entre a selva peruana e a cordilheira dos Andes, fazendo prospecção para a construção de uma hidrelétrica.

 

Os dois engenheiros marcaram um ponto de encontro com os dois colegas, mas nunca apareceram. O alerta de desaparecimento foi dado na noite de segunda-feira, mas os corpos só foram encontrados na madrugada de quarta-feira, às margens de um rio que fica entre as províncias de Amazonas e Cajamar. Não havia marcas de violência e nem os pertences dos dois brasileiros haviam sido roubados.

 

A região, desértica e com 2.800 metros de altitude, tem temperatura baixíssima à noite. A falta de indícios levou a polícia a suspeitar que as mortes tenham relação com hipotermia ou o ar rarefeito. No entanto, nada ainda pode ser confirmado.

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