Liduina Rocha
Liduina Rocha

Neve cancela voos e brasileiros ficam presos em Bariloche

Temperatura chegou a 25,4ºC negativos; tempestades fecharam aeroporto

Luciana Rosa e Marco Antônio Carvalho, O Estado de S. Paulo

17 Julho 2017 | 20h32
Atualizado 17 Julho 2017 | 23h42

Após um fim de semana de nevasca em Bariloche, turistas enfrentaram dificuldades para sair ou chegar ao destino turístico argentino, um dos mais tradicionais para brasileiros no inverno. O pequeno aeroporto local fechou entre a manhã e o meio da tarde desta segunda-feira, 17. Na sexta-feira, ele já havia suspenso as operações e só reabriu no domingo, quando a cidade registrou a menor temperatura dos últimos 50 anos (-25,4 °C).

Na alta temporada, em julho, Bariloche costuma atrair aproximadamente 30 mil turistas de férias. O local recebe quatro voos semanais vindos diretamente do Brasil e outros 33 de Buenos Aires. A médica obstetra Liduína Rocha, do Ceará, é uma das que viram o encanto pela neve se tornar pesadelo. 

Desde sexta-feira até a tarde desta segunda, ela tinha dificuldades para embarcar no Aeroporto Teniente Luis Candelaria. “Somos muitos aqui. Meu marido estava agora mesmo com o grupo, tentando fazer um protesto. Estamos organizando um ônibus para irmos para Buenos Aires”, desabafou.

A principal reclamação é quanto à negligência das linhas aéreas, que não estariam dando o suporte necessário para que os passageiros possam esperar mudanças no tempo e reprogramação dos voos. “Hoje (segunda) há cerração e não é seguro voar. Mas o fato de não voar deveria implicar em cuidados com os passageiros em terra e não há nenhum tipo de suporte”, disse ela, que tinha passagens para um voo da Latam.

Ainda segundo a turista brasileira, após horas de espera por resposta da companhia aérea, ela e a família decidiram buscar hotel por conta própria. “Voltamos sábado e ficamos até a noite, quando todos os voos foram cancelados! Consegui um apartamento por dois dias”, relatou. 

A companhia, diz ela, não ofereceu ajuda financeira para custear os dias extras de hospedagem. “Não há nenhum plano de contingenciamento da companhia área. Estamos com os filhos aqui, já estamos no limite.” 

Igual rodoviária. Já a representante de vendas Fernanda Passos, de 41 anos, teve melhor sorte do que Liduína. Ela conseguiu embarcar de volta para o Brasil com um bilhete feito à mão pela empresa aérea. Após mais dois remanejamento em seu horário de voo, a confusão era tanta que não foi possível imprimir outra vez a sua passagem de volta. “Estava absolutamente lotado e sem estrutura nenhuma, lembrando mais rodoviária. Famílias tiveram de dormir lá e também idosos.” 

Fernanda estava há uma semana na cidade e disse que já havia previsão para intensificação do frio, mas não a ponto de uma nevasca histórica. A massa de ar polar vem do sul do continente e já havia causado uma forte nevasca em Santiago no fim de semana. “Mas ninguém previu que seria tão pesada quanto está sendo, afetando até o fornecimento de luz em Bariloche”, contou. Ela conseguiu embarcar de volta para o País na noite de domingo.

A espera da família do administrador José Saez Neto, de 63 anos, se estendeu da tarde da sexta-feira até a madrugada desta segunda, quando conseguiu voar para o Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Depois, pegou o voo para Curitiba, seu destino final. “Nunca imaginava passar por isso e não dá para pensar em voltar diante dessa falta de estrutura. O pessoal operacional estava perdido. Não queríamos mordomia, só queríamos informação sobre o que estava ocorrendo.” 

Questionada pelo Estado sobre os problemas para orientar passageiros, a Latam não respondeu até as 21 horas. 

Sul. Após um fim de semana de tempo mais ameno, quatro cidades gaúchas – incluindo Canela e Gramado –, e três catarinenses, incluindo São Joaquim, tiveram neve. / COLABORARAM LUIZ FERNANDO TOLEDO, LUCIANO NAGEL e NAIRA HOFSMEISTER, ESPECIAL PARA O ESTADO

 

 

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