Nova Friburgo não usou todas as doações a vítimas de catástofre em 2011

Menos da metade da verba foi usada; governador diz que é difícil achar local para fazer novas casas

Felipe Werneck , O Estado de S.Paulo

03 Janeiro 2012 | 23h35

RIO - Doações voluntárias depositadas em agências bancárias de todo o País para vítimas da tragédia em Nova Friburgo, na região serrana do Rio, estão paradas no cofre da prefeitura um ano após o temporal que matou 428 pessoas na cidade.

São R$ 2,4 milhões que poderiam ter sido usados, por exemplo, para construir casas populares. Nenhuma foi construída até agora, apesar das promessas feitas na época. Do total de R$ 3,7 milhões em doações, apenas R$ 1,3 milhão foi usado para comprar quatro picapes e um terreno, ainda não usado pela prefeitura.

"A gente agora precisa usar esses recursos de uma forma muito mais positiva, por isso estamos fazendo um planejamento", disse o prefeito Sérgio Xavier (PMDB), que está há 50 dias no cargo - ele era presidente da Câmara Municipal e assumiu após o afastamento do então prefeito Demerval Barbosa (PT do B) pela Justiça, em novembro, sob suspeita de irregularidades no uso de verbas repassadas pelo governo federal.

Justificativa. O governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) foi ontem à cidade e tentou minimizar a demora de um ano para dar início à prometida construção de 2,2 mil casas para desabrigados. Segundo ele, não foi fácil encontrar locais apropriados. "É uma região com muita escassez de áreas disponíveis", declarou.

Três pessoas já morreram em função das chuvas no Estado do Rio. A pior situação ocorre em Laje do Muriaé, município com menos de 8 mil habitantes no noroeste do Estado, onde duas pessoas morreram, 2 mil estão desalojadas e 200, desabrigadas, segundo balanço divulgado ontem pela Secretaria Estadual de Defesa Civil. Em todo o Estado, existem 3.108 desalojados e 707 desabrigados; 84 imóveis foram destruídos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.