Novos senadores citam vida de deputado e pedem Casa ''mais ágil''

Habituados a um serviço ''mais profissional'', ex-deputados eleitos ao Senado dizem que há lá ''gordura para queimar''

Rosa Costa, O Estado de S.Paulo

08 Março 2011 | 00h00

Engavetada desde dezembro, a proposta de reforma administrativa do Senado ganhou adeptos com a posse dos novos senadores, sobretudo dos 15 que exerceram antes o mandato de deputado. Eles afirmam que a estrutura de trabalho na Câmara é mais ágil e profissional, mesmo tendo de atender a 513 deputados e não apenas aos 81 senadores.

Os senadores afirmam que as comissões não estão aparelhadas com "regimentalistas" e especialistas nas devidas áreas e que a burocracia e a superposição de funções dificultam o atendimento de questões elementares, como a reposição de equipamentos de informática. "Minha impressão, há 30 dias aqui, é que há muita gordura para queimar na Casa", diz o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES). "Não é à toa que a sociedade vê o Senado como um paquiderme."

O senador Walter Pinheiro (PMDB-BA), compara a Casa a "uma Ferrari que anda como uma carroça", mesmo - segundo ele - dispondo de "combustível e de pessoal altamente qualificado". "Temos de otimizar , organizar o meio de campo para que a gente possa utilizar o serviço deforma coletiva e não individual".

Ferraço é um dos cinco integrantes escolhidos pelo presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), para a subcomissão que no prazo de 90 dias vai reiniciar o debate sobre a reforma administrativa da Casa. "Nesse prazo, não vamos reinventar a roda, mas o trabalho tem de ser feito, com base no estudo que já está pronto", afirma, referindo-se à proposta preparada pelo grupo de trabalho presidido no ano passado pelo ex-senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), com apoio da Fundação Getúlio Vargas.

Em 2009, no auge do escândalo dos atos secretos revelados pelo Estado, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), prometeu aprovar uma reforma interna e entregar uma Casa "modernizada". Anunciada com grande pompa, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) foi contratada para propor mudanças estruturais no Senado. Pela tarefa recebeu, em um primeiro contrato em 2009, R$ 250 mil. Uma recontratação pelo mesmo valor foi anunciada no ano passado. Agora, Eunício Oliveira diz que o trabalho será feito. "A reforma não é contra ninguém, é a favor da instituição", garante.

O orçamento do Senado para este ano é, proporcionalmente, maior do que o da Câmara. Serão gastos cerca de R$ 3,3 bilhões contra R$ 4,2 bilhões na Câmara, que tem duas vezes mais funcionários, cerca de 18 mil contra 9 mil, e quase seis vezes mais parlamentares.

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