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Novos vídeos mostram Bernardo irritado com gravações do pai

Elder Ogliari - O Estado de S. Paulo

29 Agosto 2014 | 20h 15

Nas duas novas peças, encaminhadas ao processo pela polícia, o garoto discute com o pai e pede para ele parar de filmar

PORTO ALEGRE - Dois novos vídeos vazados para a imprensa gaúcha mostram que o garoto Bernardo Uglione Boldrini se irritava com a gravação de suas atitudes e era provocado pelo pai, o médico Leandro Boldrini, dentro de casa. Vídeos divulgados anteriormente também revelaram brigas da madrasta, Graciele Ugulini, com o garoto.

Nas duas novas peças, encaminhadas ao processo pela polícia, Bernardo discute com o pai e pede para ele parar de gravar cenas da irritação que sentia. Em uma delas, gravada em junho de 2013, pega uma faca, que depois troca por um facão, e se aproxima da câmera, mostrando a lâmina. Também procura álcool, sem encontrar, e simula fazer um corte no próprio braço.

Entre pedidos que faz para o filho largar a faca e depois o facão, o médico também provoca. "Vamos ver se tu é corajoso, isso aqui vai ser mostrado para quem quiser ver. Vamos, machão", diz. No segundo vídeo, de agosto de 2013, Bernardo está dentro de um armário, chorando, dizendo que não quer alguma coisa e pede  "para de me filmar, seu idiota".

Bernardo desapareceu de casa, em Três Passos, em 4 de abril deste ano, quando tinha 11 anos. O corpo foi encontrado dez dias depois em Frederico Westphalen, a 80 quilômetros de distância. O pai, a madrasta e mais a assistente social Edelvânia Wirganovicz e o motorista Evandro Wirganovicz estão presos  preventivamente e são réus de processo por homicídio. A Justiça está ouvindo testemunhas e não marcou data  para o julgamento.

Caso Bernardo Boldrini
Arquivo Pessoal/Divulgação

O caso do menino Bernardo Boldrini veio à tona após o seu desaparecimento por dez dias, fato que comoveu o Rio Grande do Sul. Seu corpo foi encontrado no dia 14 de abril. O sumiço de Bernardo foi comunicado à polícia pelo pai, o médico Leandro Boldrini, de 38 anos, no domingo, 6 de abril, quando ele teria percebido que o menino não voltava depois de passar o fim de semana na casa de vizinhos.