Daneil Teixeira|Estadão
Daneil Teixeira|Estadão

Nº de pessoas no País que se declara preta ou parda cresce 14,9%

Brasileiros desses grupos vivem empoderamento e estão mais propensos a se assumirem como são, de acordo com especialistas

Daniela Amorim e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

24 Novembro 2017 | 10h34
Atualizado 24 Novembro 2017 | 22h33

RIO - Seguindo tendência verificada desde a década passada, o total de brasileiros que se declaram de pele preta cresceu 6,9% entre 2015 e o ano passado. Já o número de pessoas identificadas como pardas cresceu 2% no período. O total de autodeclarados pretos aumentou 14,9% entre 2012 e o ano passado. 

+++ 'Mercado exclui mais os negros do que universidade'

Os dados, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua, foram divulgados nesta sexta-feira, 24, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Da população total, estimada em 205,5 milhões de habitantes no ano passado, 8,2%, são identificados como pretos. O contingente de pardos é bem maior, com 46,7% do total. Já os identificados como brancos somaram 44,2%. Na passagem de 2015 para 2016, a quantidade de declarados como brancos encolheu 2%.

+++ Só 2 em cada 10 brasileiros admitem ser preconceituosos, diz pesquisa do Ibope

Desde 2007, as Pnads vêm mostrando que a soma da população identificada como preta e parda supera a que se considera branca. As informações sobre a cor da pele são escolhidas, no rol de opções oferecidas, pelos próprios entrevistados. Ele pode informar livremente a cor da sua pele e das demais pessoas do domicílio.

+++ Mercado vê chances de reforma da Previdência ser aprovada

Portanto, o aumento no contingente de pretos e pardos não está relacionado a uma possível taxa de fecundidade maior entre esses grupos, esclarece Maria Lucia Vieira, gerente da Pnad. “Esse maior número de pretos e pardos declarados decorre da miscigenação natural da população e do maior acesso à informação, que leva as pessoas a se identificarem com uma cor ou raça diferente da que se identificavam antes”, afirma Maria Lucia.

Para Ynaê Lopes dos Santos, professora do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getulio Vargas (Cpdoc/FGV), pretos e pardos têm ficado mais propensos a se assumirem como tal. O movimento, desde a década passada, seria resultado do avanço de políticas afirmativas, como cotas nas universidades públicas, e do impulso que os movimentos pelos direitos dos negros ganhou com as redes sociais e a internet.

“Ao que tudo indica, esse aumento faz parte de um movimento de empoderamento”, diz Ynaê, autora de um livro sobre a história das origens africanas na sociedade brasileira. “Isso é muito importante numa sociedade na qual o racismo estrutural é muito grande”, complementa ela, que defendeu a ação do Estado para compensar as desigualdades.

 

Envelhecimento

A edição da Pnad divulgada nesta sexta mostrou ainda que a população brasileira seguiu envelhecendo em 2016. Os brasileiros na faixa etária de 60 anos ou mais são 14,4% do total. Em 2012, quando começa a série estatística da pesquisa, essa faixa etária respondia por 12,8% da população. 

Na outra ponta, o contingente populacional na faixa etária de zero a 9 anos encolheu 4,7%. São 1,3 milhão de crianças a menos nessa faixa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.