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Número de homicídios dolosos no Rio aumenta 16,7% em 2013

Felipe Werneck - O Estado de S. Paulo

27 Fevereiro 2014 | 20h 13

Casos decorrentes de intervenção policial ficaram praticamente estáveis, o que reverte tendência de queda desde 2007

RIO - Os homicídios dolosos (quando há intenção), que estavam oficialmente em queda no Estado do Rio desde 2010, voltaram a subir em 2013. Dados divulgados nesta quinta-feira, 27, pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que houve aumento de 16,7% em relação a 2012. Foram registrados 4.761 homicídios no ano passado, 680 casos a mais.

Os homicídios decorrentes de intervenção policial, que no Rio são registrados como autos de resistência, ficaram praticamente estáveis, com redução de três casos: 419 em 2012 e 416 em 2013. Isso indica uma reversão da forte tendência de queda para o indicador registrada desde 2007, primeiro ano da gestão Sérgio Cabral (PMDB), quando o número de mortos em alegados confrontos com policiais chegaram ao ápice: 1.330.

Crise. "Estamos em um momento de crise. Há um acúmulo de casos negativos pontuais. Alguns números, como o de roubos, já vinham apontando deterioração progressiva e agora os indicadores consolidam essa tendência", disse o sociólogo Ignácio Cano, que coordena o Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (LAV-Uerj). "A percepção dos impactos de políticas positivas parece que se esgotou. O caso do pedreiro Amarildo de Souza acabou com prestígio das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) sobretudo junto à população das favelas."

Cano diz que as manifestações iniciadas em junho de 2013 mudaram o foco das agendas de segurança e que agora, por se tratar de ano eleitoral, a política deverá ser mantida "em piloto automático" até o fim do atual governo. Sobre a reversão da tendência de queda dos autos de resistência, o sociólogo avalia que o fato de não ter ocorrido aumento em um cenário de crescimento dos homicídios é um ponto a ser destacado, mas ressalva que o patamar continua inaceitável: "Em Minas Gerais, por exemplo, quem tem população maior e mais PMs que o Rio, a polícia costuma matar de 50 a 80 pessoas por ano."

Procurada pela reportagem para comentar os números do ISP, a Secretaria de Segurança do Estado divulgou uma nota: "O número de homicídios de 2013 aumentou comparado com o ano passado, que foi o melhor da atual gestão. O atual governo recebeu o Estado com o índice de homicídios de 41,3 por 100 mil habitantes, enquanto em 2013 foram 28,9 por 100 mil habitantes. A secretaria espera que a inauguração de Companhias Destacadas nas zonas norte e oeste, na Baixada Fluminense, em Niterói e São Gonçalo, e das Delegacias de Homicídio da Baixada e de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí contribuam para a redução dos índices de criminalidade".