Epitacio Pessoa/AE
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''O partido nasce para disputar a eleição de 2012 com o PSDB''

Vice-governador de SP diz que só aceitou trocar o DEM pela nova sigla após possibilidade de [br]fusão ter sido descartada

Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

22 Março 2011 | 00h00

Guilherme Afif Domingos, vice-governador de São Paulo

Um dos principais adversários da fusão do PSD com o PSB, o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos defende o apoio da nova legenda à reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB), caso ele esteja bem avaliado para disputar novamente o Palácio dos Bandeirantes. "Kassab tem 50 anos de idade. É uma pessoa que tem inteligência para saber qual é a sua vez. E quando é a sua vez", afirmou Afif em entrevista ao Estado.

Por que sair do DEM e fundar um novo partido?

Essa é uma decisão que foi bastante amadurecida, com o compromisso de que nós estávamos saindo para formar um novo partido, e não para fazer um bypass de uma fusão para escapar da fidelidade partidária. Era uma questão de incompatibilidade com o DEM, de um grupo político que está junto há muito tempo. Desde a campanha de 1989. A conversa foi exatamente no sentido: é para reeditar um projeto que todos nós sonhamos de fazer um partido novo? Se for nessas condições, eu vou. Se for para fazer um bypass, não conte comigo.

E a fusão com o PSB?

O PSD é um partido que vai disputar a eleição.

E depois disso?

Não sabemos o que vai acontecer. Depende do sucesso das adesões, das articulações. Estou confiante. Mas quando você sai para um projeto desses, você tem que ter uma ideia na cabeça e uma câmera na mão. Isso nós temos.

A queda da popularidade de Kassab é atribuída à movimentação política nos últimos meses.

É um equívoco de interpretação. O problema é a ênfase da notícia. O jornalismo gosta de novidade. A novidade está na cena política, não na gestão. Tem muita coisa na gestão que continua fazendo e vai fazer mais.

O PSD já nasce com uma imagem de legenda trampolim?

O importante não é a imagem, é o som, o que você vai dizer. Até então a imagem era feita por aquilo que você não disse. O que foi interpretado. Daqui para a frente, é o que estamos dizendo e o que vamos fazer.

No Palácio dos Bandeirantes, houve descontentamento com o ingresso do sr. em um partido que apoia o projeto de Kassab se lançar governador em 2014.

Outra versão que não cabe. O partido nasce para disputar a eleição de 2012, em aliança com o próprio PSDB. A nossa divergência não foi com o PSDB, foi com o DEM. Aqui em São Paulo, além do aspecto de estarmos juntos, existe o compromisso firmado nas urnas. Sou o vice-governador e vou cumprir a aliança até o fim.

Quando o sr. diz até o fim, inclui a eleição de 2014?

Cumprir o mandato, como vice-governador. Cumprir as funções do governo. Agora, o que vai acontecer no jogo político, ninguém pode adivinhar. Mas a nossa intenção é que a gente trabalhe para o Geraldo ter sucesso e que vá para a reeleição. E ele terá o nosso apoio, sim.

E o projeto de Kassab de se tornar governador?

Kassab tem 50 anos de idade. É uma pessoa que tem inteligência para saber qual é a sua vez. E quando é a sua vez.

Ele abriria mão para Alckmin para disputar o Senado?

Aí você tem as composições. São feitas para isso. Até vice-governador ele pode ser.

Como Alckmin reagiu ao ser informado de sua saída do DEM?

Disse pessoalmente, na sexta-feira. Enquanto os nomes do partido não tinham noção do que eu tinha escrito nos mandamentos do PSD, com exceção do Kassab, ele foi a primeira pessoa a saber. Você tem que ter clareza e transparência no relacionamento. Isso eu tenho com o Geraldo, e a recíproca é verdadeira.

Aliados dele defendem que o sr. deixa a pasta do Desenvolvimento, que seria cota do DEM.

Quem define isso não são os aliados, é o governador.

O sr. é cotado para ser o candidato a prefeito em 2012.

Esse é um assunto a ser discutido a muitas mãos. É uma decisão dos comandos dos partidos que farão aliança. É uma questão aberta. Não há nomes, buscam-se nomes.

O sr. não descarta a hipótese?

Sou uma pessoa regularmente inscrita e em dia com minha vida política. Agora, vou sentar à mesa e buscar uma solução. Se recair sobre mim, não tenho motivo para não aceitar. Porém isso é uma decisão de dez mãos. Não é interesse individual.

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