Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

O Rio nunca teve tantos turistas. Nem tanta fila

Investimentos do governo em propapaganda rendem frutos, mas também escancaram falta de infraestrutura

Pedro Dantas e Tiago Rogero, O Estado de S. Paulo

07 Janeiro 2012 | 16h50

RIO - O Rio nunca esteve tão cheio de turistas. Se houve queda no número de europeus e americanos, a compensação veio com vizinhos sul-americanos e o público de outros Estados brasileiros. O investimento dos governos municipal e estadual para transformar a cidade em uma “capital mundial de eventos” rendeu frutos. Mas também escancarou a falta de estrutura para receber a crescente demanda.

A austríaca Constance Niedermaier, de 27 anos, por exemplo, desistiu de conhecer o Cristo Redentor. “Estou de férias, mas não tive paciência para esperar. Um amigo levou oito horas para fazer todo o passeio.”

O desconforto não é exclusivo de turistas. Moradores de Laranjeiras, na zona sul, reclamam dos engarrafamentos provocados por quem vai até o Corcovado.

Segundo a Empresa Municipal de Turismo (Riotur), a cidade receberá mais de 3 milhões de turistas neste verão –12,4% mais que na temporada passada. A expectativa é de que eles gastem US$ 2,233 bilhões, ante US$ 1,976 bi no verão passado.

Na quinta-feira à noite, um grupo de turistas chamava a atenção na Lapa, centro do Rio, não só pela animação como pela quantidade. Eram 40, de 12 nacionalidades diferentes. O grupo faz MBA nos Estados Unidos com a carioca Andrea Schalka, de 25 anos, que organizou a viagem. “Nosso principal problema foi no Cristo, porque não aceitavam cartão. Várias pessoas andando com dinheiro é perigoso.”

Presidente da Fundição Progresso – uma das maiores casas da região da Lapa –, Perfeito Fortuna comemora lotação máxima de 5 mil pessoas em todo dia de festa. “Não fica tão confortável como costumava ser, mas por enquanto está dando”, disse. Desde dezembro, o faturamento aumentou mais de 100%.

Na tradicional Confeitaria Colombo, no centro, a média diária de 2 mil pessoas em outubro passou para 5 mil nas últimas semanas. “Em 2 de janeiro, um dia chuvoso, tivemos mais de 7 mil pessoas, o que causou filas nas 11 horas em que ficamos abertos”, disse Renato Freire, chef da casa aberta em 1894. A média de 2011 foi 20% maior que a de 2010.

A Associação Brasileira de Hotéis do Rio espera taxa de ocupação em torno de 90% até março e fechamento do ano com 85% de quartos ocupados, em média. Entre janeiro e novembro de 2011 (números de dezembro ainda não saíram), a média foi 79,15%.

O diretor do Trem do Corcovado, Sávio Neves, culpou a falta de fiscalização contra vans piratas e atraso de dois anos do governo federal em liberar a compra de quatro trens pelas filas. “O melhor é adquirir o ingresso com antecedência pelo site.”

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