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Tutty Vasques, O Estadao de S.Paulo

29 Outubro 2008 | 00h00

A persistir o avanço da cobertura jornalística do fim do mundo, o repórter-fotográfico - ô, raça! - será a primeira categoria profissional a sentir na pele a crise financeira internacional. A rotina da pindaíba tem ensinado aos editores de Economia que, para efeito de ilustração do desastre global, basta um bom arquivo com variações em torno da clássica imagem do desespero dos operadores de bolsa de valores. O personagem é manjadíssimo: homem de crachá e gravata frouxa, com a cabeça amparada entre as mãos, diante dos gráficos de queda das ações. O que determina se o flagrante é da bolsa de Kuala Lumpur, na Malásia, ou da de Reykjavik, na Islândia, é o tipo físico do pobre coitado em quadro. Não à toa, as redações têm à mão a mesma situação de pânico fotografada com modelos asiáticos, nórdicos, negros, mestiços... É possível que hoje, extraordinariamente, eles estejam às gargalhadas nas bancas, opção que todo jornal dispõe para os raros dias - como o de ontem - de euforia do mercado. Seja como for, nada justifica mandar fotógrafo cobrir o pregão. JUBA APARADA Quem já viu algumas das fotos mais íntimas do ensaio de Cláudia Ohana para a Playboy garante: a atriz deveria indicar sua depilação ao músico francês Michel Legrand, que está em turnê pelo Brasil. Sobrancelhas volumosas daquele jeito, convenhamos, estão inteiramente fora de moda. Santa irresponsabilidade Lewis Hamilton está apavorado. Também, pudera! Corre na internet a campanha "Bate nele, Rubinho!", sugerindo que o piloto ajude Felipe Massa a ser campeão do mundo em Interlagos. E encerre sua carreira nos braços do povo. Sofrimento comum Quem sofre de bursite sente dor só de ver a dificuldade de John McCain em levantar os braços para saudar seus eleitores. O Lula nem olha para não lembrar que já padeceu disso. Sonho americano Se a Polícia Federal dos EUA resolver tirar de circulação todo maluco que já pensou no assassinato de Barack Obama, não haverá Guantánamo que chegue para prendê-los. Oremos Pela avaliação do comando de greve da Polícia Civil de São Paulo, com o apoio recebido ontem da Polícia Federal, já dá para encarar a Polícia Militar na mão. Plágio democrata Ao definir as eleições da semana que vem como o confronto da "esperança contra o medo", Barack Obama bem que poderia ter dado crédito ao companheiro Lula, que em sua primeira fala como presidente da República, no dia 28 de outubro de 2002, disse que "a esperança venceu o medo". Vazio existencial Parece que o público entendeu a idéia da "Bienal do Vazio". Ontem, na reabertura da mostra no Pavilhão do Ibirapuera, não havia filas nem para andar de tobogã.

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