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Ocupantes contradizem PM e afirmam que não conseguiram retirar pertences

Thaise Constâncio - O Estado de S. Paulo

11 Abril 2014 | 16h 19

Pelo menos 26 pessoas foram detidas, incluindo cerca de seis menores de idade

RIO - Na porta da 25ª Delegacia de Polícia, no Engenho Novo, zona norte do Rio, moradoras da Favela da Telerj reclamaram da truculência da Polícia Militar durante a reintegração de posse do terreno, que pertence a empresa de telefonia Oi. Ao contrário do que foi dito pelo porta-voz da PM, tenente-coronel Cláudio Costa, os invasores disseram que não tiveram tempo hábil para retirar os pertences dos barracos de madeira e papelão erguidos dentro do prédio e no entorno do terreno.

"Não deu tempo de tirar nada porque eles (agentes que participaram da reintegração) chegaram com trator. Perdi tudo", afirmou Maria de Lourdes, de 60 anos. Ela disse que estava na ocupação desde o início, em 31 de março.

Tratores e retroescavadeiras foram usados para derrubar os barracos montados na parte externa do terreno e demolir os muros na parte de trás da área para facilitar a entrada dos bombeiros para combater focos de incêndio. "Minha filha está grávida, tem uma criança pequena e não pôde tirar nada".

Na porta da delegacia, ela aguardava que o filho de 15 anos fosse liberado. O adolescente foi preso porque estava dentro de um supermercado que foi saqueado. Nada foi apreendido com o jovem que prestou depoimento e foi liberado. "Um monte de gente fugiu com o carrinho cheio (de produtos roubados) e eles não prenderam ninguém, só as crianças". Pelo menos 26 pessoas foram detidas, incluindo cerca de seis menores de idade. Dois homens foram presos em flagrante levando carrinhos com chocolate, bebidas alcoólicas e energéticos.

Lesão. Autuado por lesão corporal leve por supostamente ter jogado uma pedra em um policial durante a reintegração de posse, o estudante de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e militante do Movimento de Lutas dos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), Esteban Crescente, de 26 anos, não confirmou nem negou a acusação. Questionado se havia cometido a infração ele afirmou que "a polícia disse que eu joguei a pedra (contra o policial)".

"A polícia, mais uma vez, agiu com truculência e violência contra quem só queria ter onde morar. E, mais uma vez tentou criar provas". Depois de prestar depoimento na 25o DP, ele assinou um termo circunstanciado e foi liberado.

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