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Óleo no mar indica que não houve explosão do avião, diz Jobim

03 Junho 2009 | 18h 17

Uma mancha com cerca de 20 quilômetros foi localizada por aviões da FAB; navios ainda não acharam destroços

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse nesta quarta-feira, 3, que a presença de óleo no oceano indica que não houve explosão do Airbus da Air France e que "não há mais dúvida de que a situação de queda se deu nesse local". Uma mancha com cerca de 20 quilômetros foi localizada nesta quarta por aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), além de uma peça de sete metros de diâmetro e pequenos objetos metálicos flutuando. Os novos pontos foram vistos a 90 quilômetros ao sul dos primeiros vestígios, a cerca de 650 quilômetros de Fernando Noronha. 

  

Divulgação FAB - Mancha de óleo no Oceano Atlântico

 

O governo brasileiro estabeleceu um raio de 200 quilômetros - ou 120 milhas náuticas - para que dois navios façam a pesquisa da região onde foi identificado o primeiro destroço do avião desaparecido no Atlântico. Jobim afirmou que a faixa de 5 km de destroços vista por aeronaves brasileiras na terça-feira, 2, já foi dispersada pelas correntes marítimas. Agora há duas trilhas diferentes distanciadas por 138 milhas náuticas ou 230 quilômetros.

 

Jobim reforçou que não foram encontrados corpos, mas que foram vistas partes brancas da aeronave. Essas seriam as partes internas do avião,o que confirma tratar-se do Airbus da Air France. O ministro ressaltou que os corpos das vítimas podem levar mais de dois dias para emergir. "Os que não têm o abdome integro afundam e não voltam. Os outros, que têm o abdome íntegro, levam um tempo superior a 48 horas para voltar à superfície. Há casos, que só voltam seis dias depois, porque depende da temperatura da água e do volume da formação de gases.

 

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Jobim praticamente descartou a possibilidade de sobreviventes. Inicialmente, ele afirmou: "Estamos empenhados em buscar sobreviventes". Em seguida, corrigiu: "Ou melhor, restos". Indagado se descartava a possibilidade de sobreviventes, ele respondeu: "A minha opinião é irrelevante. Temos de esperar os resultados das buscas". Em seguida, emendou: "Mas temos de considerar que estamos trabalhando numa região costeira a Pernambuco. E vocês sabem o que isso significa". Jobim referia-se ao fato de haver na região de Pernambuco grande concentração de tubarões.

 

Com a ressalva de se tratar de um "tema delicado", o ministro explicou que podem existir corpos de dois tipos: os que tem abdômen íntegro, sem cortes, o que permitira que boiassem depois de cerca de 70 horas permitindo o resgate; e os de abdômen não íntegro, com algum corte, o que impediria que boiassem e, portanto, tornaria impossível o resgate.

 

Jobim afirmou que cabe aos técnicos do serviço de salvamento da Força Aérea Brasileira e da Marinha determinar quando será encerrada a operação de buscas na área onde foram encontrados os destroços. As partes do avião recolhidos pelos militares brasileiros serão entregues aos franceses, responsáveis pela investigação do acidente, num "momento oportuno". Segundo o ministro, com a corrente marítima, a mancha de óleo de cinco quilômetros de extensão avistada pela FAB já movimentou-se. "A caixa-preta é possível que esteja no fundo do mar. A profundidade nessa região varia de 2 mil a 3 mil metros".

 

Mais quatro embarcações estão previstas para chegar ao local onde foram vistos os destroços do Airbus entre hoje e domingo. Desde a manhã desta quarta-feira, três navios - o Grajaú, um de bandeira holandesa e outro francesa -,estão na região mas ainda não acharam nada, segundo resultado parcial das buscas divulgado pela Marinha do Brasil esta tarde. As buscas se concentram numa área circular com raio de 120 milhas náuticas.    

 

O Grajaú chegou na manhã desta quarta-feira, 3, ao ponto do Oceano Atlântico onde foram localizadas partes do avião francês - a cerca de 1.100 km na direção nordeste de Natal, no Rio Grande do Norte. Segundo a Marinha, a visibilidade na região é regular e há chuvas esparsas.

 

A corveta Caboclo partiu de Maceió, em Alagoas, às 10 horas de segunda, 1º, e também já chegou ao local. O navio, além de ajudar na operação para encontrar os destroços, reabastecerá o Grajaú. A fragata Constituição, que transporta uma aeronave Lynx, saiu de Salvador, na Bahia, às 15 horas de segunda, e a previsão é que esteja na área de buscas até as 6 horas da manhã de quinta.

 

A fragata Bosísio e o navio-tanque Gastão Motta deixaram o Rio na terça, 2. A previsão é que se juntem aos demais navios no sábado, 6, e no domingo, 7, respectivamente. Um terceiro navio mercante, também de bandeira holandesa, recebeu autorização para deixar a área de busca às 11 horas desta quarta por falta de combustível.

 

Segundo o coronel da Aeronáutica Jorge Amaral, da FAB, cinco aeronaves decolaram na madrugada da Base Aérea de Natal para a área onde os destroços foram encontrados. Ao todo, 11 aeronaves estão mobilizadas tanto em Natal quanto Fernando de Noronha.

 

Em rápida conversa com a imprensa, Amaral negou rumores de que já teriam sido identificados corpos na região. Ele disse, também que a Aeronáutica não tem como afirmar nada a respeito de alterações no plano de voo do avião da Air France, como foi chegou a ser divulgado hoje por um jornal "Ainda não temos como afirmar nada com relação a alteração do plano de voo do avião", disse o coronel.

 

Em entrevista coletiva nesta terça-feira, o representante do Escritório de Investigações de Acidentes da Aviação Civil da França (BEA), Paul Louis Arslanian, afirmou que a França, que conduzirá as investigações sobre as causas da queda, "não está muito otimista" sobre a possibilidade de encontrar as caixas-pretas. O porta-voz afirmou que no final de junho tentarão publicar um primeiro relatório sobre o acidente.

 

As caixas pretas são dispositivos que guardam informações sobre o voo e sobre a comunicação entre os pilotos e são usadas para ajudar nas investigações sobre acidentes. O resgate das duas caixas pretas do avião da Air France pode ser dificultado pela profundidade do mar no local da queda, que poderia chegar a 4 mil metros. Mesmo submersas, as caixas pretas emitiriam um sinal que ajudaria em sua localização, mas apenas durante um período de 30 dias.

 

Local das buscas

 

De acordo com o ministro Jobim, o primeiro contato visual de destroços foi feito por um avião da Força Aérea Brasileira dotado de sensores (R-99), que detectou restos do avião por volta da 1 hora de terça-feira. Às 5h37, outra aeronave da FAB, um Hércules C-130, visualizou manchas de óleo. Às 6h49, foi identificada uma poltrona de avião. Por último, às 12h30, o C-130 detectou um rastro de vestígios. "Cinco quilômetros de materiais não é de se supor que a maré tenha reunido. A existência da poltrona, do óleo, a identificação do R-99 e agora, complementando, os cinco quilômetros (de destroços), nos permite ter uma posição de que isso é do Airbus da Air France", lamentou.

 

De acordo com Jobim, não foram visualizados corpos. Jobim ressaltou que as buscas prosseguem numa área de 9.785 km², mas evitou falar em eventuais sobreviventes. "Não trabalho com hipóteses, mas com resultados empíricos", afirmou. Entre os vestígios observados, havia um bote salva-vidas aberto. "Por isso não podemos descartar essa possibilidade (de encontrar sobreviventes). Existiam quatro botes no voo e, se só um foi avistado, outros podem estar perdidos no mar", disse um tenente ao Estado, que pediu para não ser identificado. Há ainda a possibilidade de que os botes tenham se desprendido dos bancos na queda.

 

No entanto, o procedimento padrão em caso de evacuação, caso existisse um tripulante da Air France em um dos botes, seria amarrar as embarcações umas as outras. Em cada um deles cabem 35 pessoas. A possibilidade é considerada remotíssima por especialistas. O material recolhido será levado a uma distância de até 250 milhas próximas a Fernando de Noronha. Desse ponto, dois helicópteros carregarão o que for encontrado até o arquipélago. Esse limite foi estabelecido por causa da autonomia dos helicópteros, que podem fazer voos de ida e volta que somam 500 milhas.

 

Submarino que achou o Titanic

 

Segundo a BBC, o mini-submarino francês Nautile, usado em operações de busca das carcaças do Titanic, deverá participar do resgate das caixas-pretas do avião da Air France. O Nautile, que também ajudou nas buscas pelo petroleiro Prestige, que causou um desastre ecológico na Europa em 2002, está sendo levado para o local onde os destroços do avião foram vistos, a cerca de 700 quilômetros de Fernando de Noronha, pelo navio francês Pourquoi Pas.

O mini-submarino, normalmente operado por dois pilotos e um observador , é equipado com braços motores e pinças e pertence ao Instituto Francês de Pesquisas para a Exploração do Mar (Ifremer, na sigla em francês). Ele deve integrar as operações de busca a pedido do governo francês.

O Nautile foi o primeiro submarino a alcançar a carcaça do Titanic, que estava no fundo do mar desde 1912, depois que o navio foi detectado por sonares franceses no Atlântico Norte. Desde o início de suas operações, em 1984, o Nautile já realizou mais de 1,5 mil trabalhos de busca. O submarino pode mergulhar a profundidades de até 6 mil metros.  

 

(Com Rita Cirne, da Central de Notícias, e Isabel Sobral, da Agência Estado)

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