Operação da PF prende nove empresários e doleiros no Rio

Segundo Ministério Público, acusados movimentaram mais de US$ 20 mi em paraísos fiscais no agiam desde 1997

Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo,

13 Novembro 2009 | 17h19

A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira no Rio nove empresários e doleiros na "Operação Sexta-Feira 13". Segundo o Ministério Público Federal (MPF), os acusados movimentaram mais de US$ 20 milhões em paraísos fiscais no exterior e operavam desde 1997. A 4ª Vara Federal expediu 12 mandados de prisão e nove de busca e apreensão, cumpridos no Rio e São Paulo, alguns deles contra empresas especializadas em blindagem patrimonial fraudulenta, segundo MPF.

 

"A operação foi um desdobramento da Operação Roupa Suja de 2005, que prendeu quadrilhas que fraudavam licitações na compra de insumos para produção do coquetel anti-HIV e fraudavam licitações na contratação de lavanderias para os hospitais do Rio. Agora, a investigação focou no lucro ilícito da quadrilha e desvendou crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas", afirmou o procurador da República Carlos Alberto Aguiar.

 

Os empresários Vitorio Tedeschi e Altineu Pires Coutinho, apontados como líderes das quadrilhas na Operação Roupa Suja, estão entre os presos ontem. Também foi preso o advogado Chaim Henoch Zalcberg, detido na Operação Babilônia, que apurou crimes de lavagem de dinheiro em 2005, e suspeito de envolvimento no "Caso Propinoduto II", esquema de lavagem de dinheiro e corrupção na Secretaria de Fazenda do Rio descoberto em 2003.

 

Entre os doleiros com a prisão decretada, outro nome conhecido é o de Dario Messer. Ele foi investigado no chamado escândalos dos precatórios e sócio de contas apuradas no Caso Banestado. Rosane Messer, sua mulher, foi presa, mas Dario não foi encontrado. Fabrício de Oliveira Silva e Arnaldo Haft também ainda estão sendo procurados pela PF. Também foram presos Ettore Reginaldo Tedeschi, Antonio Wanis Filho e Eliezer Lewin, Adaílton Guimarães e Srul Josek Pechman.

 

Durante a operação desta sexta, a PF apreendeu R$ 200 mil na casa do empresário Vitorio Tedeschi, além de quatro armas e US$ 17 mil nas residências de outros acusados. O Estado tentou contato com o escritório de advocacia de Chaim Zalcberg, mas foi informado que não havia ninguém disponível para atender a ligação. Os advogados dos demais acusados não foram localizados.

 

O procurador do MPF explicou que a demora entre a Operação Roupa Suja e as prisões de ontem ocorreu devido à lentidão no envio de documento pelas autoridades estrangeiras. Segundo Aguiar, até o momento as autoridades suíças não enviaram as informações solicitadas pelos procuradores. Além dos Estados Unidos, o grupo é acusado de usar paraísos fiscais, como Bahamas e Ilhas Virgens, para movimentar dinheiro ilegalmente.

 

O MPF aponta que os acusados tinham métodos distintos de enviar dinheiro para o exterior. "Uns utilizavam o câmbio clandestino para remessa e repatriamento de divisas e outros operavam com empresas off shore em nome de laranjas para blindar os beneficiários das transações. Eram mais de 20 contas apenas nos Estados Unidos", revelou o procurador.

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