Operação Mãos Limpas muda cenário na disputa

Após serem presos pela PF, ex-governador e atual se dizem vítimas de armação, mas devem ser derrotados nas urnas

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2010 | 00h00

Duas mulheres cantam um hino evangélico no último comício do governador Pedro Paulo Dias (PP), candidato à reeleição, e do ex-governador Waldez Góes (PDT), que concorre ao Senado, na noite de quinta-feira em Macapá. Os dois, que ficaram dez dias presos, acusados na Operação Mãos Limpas da Polícia Federal de pertencer a uma quadrilha que desviava verbas públicos, acompanham a melodia gospel de mãos dadas com deputados e correligionários: "Teu advogado fiel é Nosso Senhor, Ele te defende do acusador", cantam os políticos no palco.

Diante das cerca de mil presentes ao evento, eles posaram de vítima e se disseram perseguidos por uma Justiça que, "em vez de prender bandidos, corre atrás de políticos que trazem o desenvolvimento para o Amapá". Mas a retórica deve cair no vazio.

De acordo com a pesquisa do Ibope divulgada ontem, nem Pedro Paulo chegará ao segundo turno nem Góes ao Senado. Segundo a sondagem, a corrida para o Senado deve ser vencida por Randolfe Rodrigues (PSOL), com 28%, e João Capiberibe (PSB), com 23% - este, contudo, teve o registro da candidatura negado ontem pelo TSE e deve dar lugar a Gilvan Borges (PMDB, que aparece com 19%.

Para o Ibope, a briga pelo governo, bastante acirrada, ficará entre três candidatos. Lucas Barreto (PTB) aparece com 32% dos votos válidos, seguido de Camilo Capiberibe (PSB), com 29% e Jorge Amanajás (PSDB), com 24%.

Ex-presidente da Assembleia no primeiro mandato de Góes, Barreto ficou fora no inquérito da Operação Mãos Limpas. Mas foi um dos beneficiados dos atos secretos do Senado, recebendo salários de R$ 7 mil durante dois anos sem ir a Brasília.

Amanajás é presidente da Assembleia. Ele vem sendo investigado no inquérito da Polícia Federal, que já levantou a existência de mil fantasmas na Casa presidida pelo tucano.

O candidato do PSB, que vinha oscilando entre terceira e quarta colocações, pode ser a surpresa. Capiberibe representa a principal força de oposição ao chamado Grupo da Harmonia, nome dado ao pacto feito entre autoridades de diferentes Poderes locais que levou o Estado à situação denunciada pelos policiais.

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