Oposição insiste em ouvir Passos no recesso

Líder do PSDB na Câmara afirma que vai cobrar do presidente do Senado, José Sarney, decisão sobre convocação do ministro dos Transportes

Marta Salomon e Iuri Dantas / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 Julho 2011 | 00h00

A convocação do ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, ao Congresso será tema da oposição na última semana do recesso parlamentar. O líder do PSDB na Câmara, deputado Duarte Nogueira (SP), autor de um requerimento de convocação de Passos, insistirá para que a comissão representativa do Congresso vote o pedido.

A convocação do ministro precisa contar com o apoio da terça parte dos 8 senadores e 17 deputados que integram a comissão. Registrado na terça-feira da semana passada, o requerimento foi recebido com indiferença pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

"O afastamento do ex-ministro e outros 17 integrantes do ministério não pode encerrar o caso. O ministro Paulo Sérgio Passos ficou de fazer a faxina nos Transportes e é preciso saber se ele vai usar a vassoura para varrer a si mesmo", disse ontem Duarte Nogueira, que cobrará hoje de Sarney a convocação de Passos. "Há indícios grandes de que as irregularidades não foram sanadas e o ministro não convenceu de que não esteve envolvido", completou.

Suspeitas de irregularidades em contratos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), e da Valec, estatal responsável pelas ferrovias, provocaram as demissões e a suspensão de novos contratos. Até agora, o ministério não anunciou o que fará para prevenir novas irregularidades, como a profusão de aditivos contratuais que elevam os valores gastos.

O líder do governo na Câmara, Candido Vaccarezza (PT-SP), ironizou a manobra da oposição de convocar o ministro no recesso parlamentar. "Não vou mobilizar ninguém da base", ironizou.

Vaccarezza também minimizou a ameaça de congressistas da oposição de abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os Transportes. Segundo ele, a oposição promete investigações desde fevereiro, sem nunca conseguir o número de votos suficientes para iniciar o procedimento.

A decisão da presidente Dilma Rousseff de demitir dirigentes do Dnit e da Valec não deve criar problemas na coalizão governista, segundo Vaccarezza. "A presidente tomou medidas duras no tempo certo", afirmou. Até semana passada, o número de afastados chegou a 18, incluindo o ex-ministro Alfredo Nascimento (PR). Segundo Vaccarezza, o objetivo da "faxina" é esclarecer suspeitas e não atacar o PR, que comanda o setor desde o governo Lula. "O PR é um grande aliado. Uma coisa é o indivíduo que é responsável por um ato. O partido não pode ser culpado."

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