Oposição vê derrota pessoal de Lula

Tucanos e parlamentares do DEM avaliam que denúncia do procurador desmonta tese do ex-presidente de que mensalão não existiu

Rosa Costa e Eduardo Bresciani, O Estado de S.Paulo

09 Julho 2011 | 00h00

A oposição enxergou na manifestação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a condenação de 36 pessoas no processo do mensalão, uma derrota da teoria difundida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que o esquema de compra de apoio político nunca existiu. Para os oposicionistas, uma condenação em massa no processo seria ainda mais importante para reduzir qualquer sensação de impunidade em relação ao caso.

O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), foi um dos que viu na manifestação de Gurgel uma derrota de Lula. "A manifestação do procurador é a confirmação formal e material da existência do mensalão", afirmou o deputado tucano. "Temos que esperar a decisão, mas isso derruba o que o próprio presidente Lula falava de que não existiu mensalão, que tudo era uma peça da oposição tentando desviar o foco".

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), afirmou que Gurgel fez o "óbvio" ao confirmar a denúncia encaminhada pelo seu antecessor, Antonio Fernando de Souza. Ele ironizou as tentativas do PT de reabilitar personagens denunciados no esquema, como o ex-ministro José Dirceu e o ex-tesoureiro Delúbio Soares. "Quero ver o que o PT vai dizer dos filiados que o próprio partido tentou inocentar na marra".

ACM Neto, líder do DEM na Câmara, destacou que a manifestação vem em momento ruim para o governo. Ele lembrou que dois ministros, Antonio Palocci e Alfredo Nascimento, deixaram seus cargos em menos de 30 dias, abalados por denúncias, e o escândalo dos aloprados (2006) foi ressuscitado com acusações contra Aloizio Mercadante, hoje ministro de Ciência e Tecnologia. "Essa posição do procurador amplia o desconforto do PT e do governo, que está envolvido em diversos escândalos".

Crítica. Entre os oposicionistas, o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), foi o mais crítico, não só ao governo, como ao próprio procurador-geral. O parlamentar destacou o fato de a denúncia contra os mensaleiros ter ocorrido no momento em que está em tramitação o processo de recondução de Gurgel. Sua indicação deve ser analisada pelo Senado na próxima semana. Ele atribuiu a isso a exclusão do ex-ministro Luiz Gushiken da lista de denunciados. "Ele quis melhorar a imagem com os governistas, tentando obter simpatia na sabatina."

Demóstenes afirma ter perdido a confiança em Gurgel depois de o procurador ter se recusado a investigar as denúncias contra Palocci. O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) fez a mesma ressalva. Para ele, a acusação sobre o mensalão seguiu adiante porque já havia muito material na Procuradoria. "Não dava para arquivar".

O líder do PSDB, Álvaro Dias (PR), prevê que o julgamento "será histórico". "O procurador reafirma a denúncia feita por seu antecessor, inclusive se valendo da veemência, da acusação fulminante quanto à existência de uma organização criminosa interessada em manter um projeto político com pleno conhecimento da presidência da República."

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