DIDA SAMPAIO/AE
DIDA SAMPAIO/AE

Padre faz campanha ao lado de tucano

Cerca de mil pessoas participaram do ato, que teve como personagem especial o pároco vestido de batina negra

Christiane Samarco, O Estado de S.Paulo

12 Outubro 2010 | 00h00

O candidato do PSDB a presidente, José Serra, fez campanha no centro de Goiânia ontem, ao lado do candidato tucano a governador, Marconi Perillo, e de um personagem especial: um padre vestido com a tradicional batina negra de mangas longas, até os pés. Serra prometeu ajudar a construir o metrô de Goiânia e um novo aeroporto para a cidade.

O padre Genésio Lamunier Ramos deixou a Paróquia São Francisco de Assis, em Anápolis (GO), e viajou 50 quilômetros até Goiânia para participar da campanha. Quando encontrou os tucanos concentrados na Avenida Anhanguera, o pároco presenteou Serra com um terço que o candidato tomou nas mãos e beijou.

A plateia, segundo cálculos da Polícia Militar (PM) de Goiás, reunia cerca de mil pessoas.

"Estou aqui pelos direitos humanos, pela defesa da vida e das liberdades democráticas. Estamos com medo de o Brasil se tornar uma Cuba, uma Venezuela", pregou o padre Genésio ao lado dos candidatos. Ao mesmo tempo, militantes tucanos distribuíam "santinhos" com a fotografia de Serra, que era acompanhada pelo slogan "Serra é do Bem". Uma inscrição, no verso, dizia "Jesus é a Verdade e a Justiça".

Era para ser uma caminhada de meia hora na avenida central, mas a mobilização surpreendeu o tucanato local. Espremido entre seguranças, cabos eleitorais, militantes e populares simpatizantes do PSDB que gritavam o nome dos dois candidatos, Serra suou muito, mas não perdeu o bom humor.

Como ele mal conseguia dar um passo e o tumulto era cada vez maior, o jeito foi subir na carroceria do carro de som que tocava o jingle Serra é do Bem em altos decibéis. "Esta é a quarta vez que Serra vem a Goiânia nesta campanha, o que revela seu amor pela nossa capital", discursou Marconi, pedindo votos para ele e para Serra.

Cara pintada. Ao descer da caminhonete, o tucano foi abordado pela estudante de Relações Internacionais Glauciane Matias, que pegou dois potes de tinta guache verde e amarela e transformou o candidato em "cara pintada", com os dois traços na face que caracterizaram o movimento "Fora Collor", em 1992.

"Estamos com você porque você tem a melhor proposta, acredita em Deus e é a favor da vida", discursou Perillo, que surpreendeu Serra logo na chegada ao aeroporto, ao levar o líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO), para cumprimentá-lo.

"Eu vim só cumprimentar e desejar boa sorte ao Serra, mas temos um compromisso com a Dilma", disse Jovair, para arrematar: "Desejo boa sorte aos dois e quem ganhar está bom para o País".

Marconi tinha em mãos uma pesquisa interna do partido que apontava a virada de Serra no Estado, em que Dilma Rousseff (PT) venceu com apenas dois pontos porcentuais de vantagem. Na capital, Goiânia, o tucano já batera a petista no primeiro turno das presidenciais.

Apesar do clima favorável, Serra não deixou de fazer promessas para agradar ao eleitorado. Disse que Goiânia precisa de um aeroporto moderno, à altura do desenvolvimento do Estado, de metrô, de um anel viário na cidade e de comunicação com Mato Grosso por uma estrada duplicada.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.