Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

Padres também tentam chegar perto do papa

Durante missa, religiosos tiravam das batinas máquinas fotográficas, gravadores e até tablets

O Estado de S. Paulo

25 Julho 2013 | 00h14

A fama de "papa beijoqueiro" de Francisco se confirmou mais uma vez quarta-feira, 24, durante sua chegada ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Logo que embarcou no papamóvel, o argentino já começou a receber pedidos de beijos e bênçãos para as crianças. "Passa a criança", gritavam os fiéis. Em meio a centenas de candidatos, a garota colombiana Valentina Gómez, de 3 anos, foi uma das escolhidas. Levada ao papa por um segurança, recebeu um beijo dele e logo abriu um sorriso. Parentes e amigos comemoram a oportunidade com emoção.

A família mora em Campinas, no interior de São Paulo. Os pais José Luiz Gómez e Juana Correa choraram emocionados com a bênção especial à filha. Eles cursam doutorado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). No grupo de colombianos, outras oito pessoas cantaram e rezaram juntos, diante da imagem de Nossa Senhora. "Ficamos muito felizes. Valeu muito a pena vir aqui", disse a amiga Andrea Tamajio, de 25 anos.

Mas não se pode dizer que somente os fiéis tietaram Francisco em sua primeira grande viagem pastoral. Religiosos também se entregaram ao corpo a corpo com o público para ver o papa de perto. Embora tivessem acesso exclusivo por uma das entradas da basílica, padres paramentados, às centenas, tiravam das dobras de suas batinas e túnicas celulares, máquinas fotográficas, gravadores e até iPads. Queriam fotografar, gravar e filmar o pontífice de qualquer jeito, até mesmo escalando as cadeiras.

Os religiosos também se contorciam para reconhecer os cardeais no altar. "Aquele é o Bertone", diziam alguns, referindo-se ao secretário de Estado do Vaticano. "Aquele ali não é o Scola?", arriscou um outro. "E quem é aquele lá mesmo? Tem sotaque alemão...". Até o "varapau do Bertone", ao lado do baixinho Damasceno no altar, foi motivo de comentários engraçados: "Só dá ele...".

A eleição de Francisco, num momento crítico da igreja após a renúncia de Bento XVI, fez com que os cardeais virassem celebridades. "Dom Aviz ficou mais gordo de março para cá", notou um dos padres-tietes, arrancando risos dos que estavam à sua volta.

"Por favor, padre..." Mas se havia padres-tietes aos montes, o mesmo não se pode dizer das freirinhas, sempre discretas e à margem de tudo. Também não dispunham do arsenal tecnológico dos religiosos homens, que chegaram a ser repreendidos, em vários momentos, por alguns agentes da Polícia Federal. "Por favor, padre, o senhor não quer voltar para o seu lugar?", reclamavam policiais durante a missa.

Já os seguranças do papa, aqueles intrépidos de terno escuro, famosos por driblar a massa no congestionamento da Avenida Presidente Vargas, no Rio, logo após a chegada de Francisco ao Brasil, na segunda-feira, apenas sossegaram na celebração da missa. Sentaram-se ao redor do altar num plano mais baixo e trataram de sossegar. Até porque, tão logo encerrou o serviço, lá foi Francisco para o meio dos fiéis, quebrando o protocolo e levando seus agentes a toda sorte de malabarismos para protegê-lo.

Quanto aos fiéis, a tietagem é simples, direta e bem ao estilo programa de auditório: "Francisco, Francisco, Francisco...".  ADRIANA FERRAZ E LAURA GREENHALGH

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