Pagot une seu destino ao de toda a cúpula do Dnit

Ao depor no Senado, ele diz que só projetos e obras ''aprovados por unanimidade'' eram realizados e contesta tese de que órgão tenha ''DNA de corrupto''

Christiane Samarco/BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2011 | 00h00

O "homem-bomba" que descontentes da base governista ameaçaram apresentar ao Senado não detonou ninguém, mas o saldo do depoimento do diretor afastado do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot, acabou se transformando, ontem, em um desafio ao Planalto.

Em cinco horas de sessão, ele só distribuiu elogios à presidente Dilma Rousseff, ao casal ministerial Paulo Bernardo (Comunicações) e Gleisi Hoffman (Casa Civil) e até ao ministro demitido dos Transportes e seu sucessor Paulo Sérgio Passos. Mas deu um nó no governo, quando amarrou o destino de todos os diretores do Dnit ao seu.

Mais do que dividir responsabilidades, Pagot informou que todas as decisões sobre obras do Dnit são tomadas por um colegiado formado por ele e outros seis diretores, entre os quais o petista Hideraldo Caron, da Infraestrutura Rodoviária.

E mais: em sua gestão, só projetos e obras "aprovados por unanimidade" eram realizados. Ao final, sentiu-se à vontade para contestar publicamente o ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage. "O Dnit não tem o DNA de corrupto", avisou.

Para quem tem a pretensão de se manter no cargo, a tática foi competente. Ao detalhar as normas internas do Dnit, na abertura de sua exposição aos senadores das comissões de Infraestrutura e Fiscalização e Controle, Pagot explicou que "o órgão superior de deliberação é um Conselho de Administração", formado pelo Dnit e por representantes de diversos ministérios (Transportes, Planejamento e Fazenda).

A diretoria colegiada era o "órgão executivo", composto pelo diretor-geral e pelos diretores executivo, administrativo e financeiro, de infraestrutura rodoviária, ferroviária e aquaviária, além do diretor de planejamento. "O que não tem entendimento de todos é retirado da pauta", garantiu.

Unanimidade. Pagot deixou claro, enfim, que tirar o diretor-geral do Dnit e manter intacto o colegiado que tomava decisões por unanimidade é o mesmo que não mudar absolutamente nada, sobretudo quando o novo ministro era o secretário executivo do antecessor.

Pela oposição, os senadores Aloysio Nunes (PSDB-SP), Pedro Taques (PDT-MT) e Randolfe Rodrigues (Psol-AP), quiseram saber qual a real situação funcional de Pagot, que entrou em férias ao mesmo tempo em que foi afastado pela presidente. Ele explicou que não desobedeceu ninguém, já que estava de folga a partir do dia 4, quando Dilma afastou quatro diretores do ministério.

Quando o presidente do DEM, José Agripino (RN), referiu-se ao Dnit como feudo do PR, Pagot contestou, alegando que a grande maioria dos funcionários não tem indicação política. "Os que têm talvez não cheguem a 1% do total", sustentou. E perguntado se teria mencionado doações à campanha presidencial, não titubeou: "Mentira. Não fiz qualquer alusão à doações a campanhas, da presidente Dilma nem de outras".

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