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Pai de Bernardo quer se separar de madrasta do menino

Elder Ogliari - O Estado de S. Paulo

05 Maio 2014 | 10h 59

Leandro Boldrini também informou seu advogado que lutará pela guarda da filha de 1 ano e meio

Atualizada às 17h48 

PORTO ALEGRE - O médico Leandro Boldrini pediu ao advogado Jáder Marques que encaminhe ação de dissolução de união estável que mantém com a enfermeira Graciele Ugulini e disse ao defensor que deseja abrir mão dos bens do filho, Bernardo Boldrini, em favor da avó materna do garoto, Jussara Uglione, em encontro que tiveram na noite de domingo, 4, no parlatório da Penitenciária de Alta Segurança de charqueadas, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

Bernardo foi encontrado enterrado no meio de um matagal, em Frederico Westphalen, a 80 quilômetros de Três Passos, onde morava, no dia 14 de abril. Boldrini, a madrasta Graciele e uma amiga dela, a assistente social Edelvânia Wirganovicz, estão presos temporariamente, até 13 de maio, prazo de conclusão do inquérito policial. Graciele admitiu que o garoto morreu em suas mãos, mas alegou que o motivo foi ingestão acidental de dose errada de calmantes que deu a ele. Edelvânia confessou ter ajudado a ocultar o cadáver, mas diz que não participou do "evento morte". Boldrini sustenta que é inocente. A polícia considera que os três participaram do crime, mas admite que falta esclarecer qual foi o papel de cada um.

Além da separação a da disponibilização dos bens que seriam herdados por Bernardo para a família do garoto, o advogado disse que médico vai pedir que Graciele fique sem direito a qualquer valor porque teria matado o garoto. Ele também quer lutar pela guarda da filha de 1 ano e meio que tem com a enfermeira.

Desde que assumiu a causa, Marques vem sustentando que seu cliente desconhecia a participação da mulher no desaparecimento da criança e que desabou ao ser informado da morte do filho. Os policiais que levaram a notícia e, ao mesmo tempo, o mandado de prisão temporária ao médico, no dia 14 de abril, relataram que ele reagiu com frieza diante dos fatos.

O advogado de Graciele, Vanderlei Pompeo de Mattos, diz que ela inocentou o médico em depoimento que deu à polícia na semana passada.

Outro inquérito. O advogado Marlon Balbon Taborda, representante da avó de Bernardo, Jussara Uglione, vai pedir à Justiça de Três Passos a reabertura do inquérito que investigou a morte da mãe do menino, Odilaine Uglione, em 2010. "Encontrei diversas divergências técnicas ao analisar o inquérito e laudos", justificou, nesta segunda-feira, enquanto finalizava o requerimento.

À época, Odilaine estava se separando de Leandro Boldrini e a polícia concluiu que ela se suicidou dentro da clínica do médico. Entre as observações de Taborda que questionam o resultado da investigação estão resíduos de pólvora na mão esquerda apontados por um laudo. Essa informação contrastaria com a de que Odilaine teria disparado a arma porque ela era destra. Ou, segundo o advogado, poderia indicar que ela teria tentado um gesto de defesa com a mão. A polícia vem sustentando que não há motivo para reabertura do inquérito.

A avó de Bernardo, Jussara Uglione, ficou hospitalizada de 21 a 28 de abril por problemas pulmonares e, desde que recebeu alta, está em casa, em Santa Maria. Taborda disse que a família não vai comentar as iniciativas reveladas pelo advogado de Boldrini enquanto não estiverem formalizadas.