Pai de Eloá é acusado de assassinato e foragido da Justiça há 15 anos

Mandado de prisão por morte de irmão de ex-governador de AL foi reeditado em abril; ex-cabo alega inocência

Bruno Tavares, Eduardo Reina e Ricardo Rodrigues, O Estadao de S.Paulo

22 Outubro 2008 | 00h00

O pai de Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, morta após ser mantida refém por mais de 100 horas em Santo André, é procurado pela polícia de Alagoas há 15 anos. Em São Paulo, ele se apresentava como Aldo José da Silva, mas na realidade se trata do ex-cabo da Polícia Militar de Alagoas Everaldo Pereira dos Santos, acusado de participar do assassinato do delegado Ricardo Lessa, irmão do ex-governador Ronaldo Lessa (PDT). O crime ocorreu em 1991, no bairro de Bebedouro, em Maceió. Além do delegado, foi morto seu motorista, Antenor Carlota. Santos se diz inocente. Especial: as 100 horas de seqüestro em Santo André Falhas apontadas durante a invasão dos policiais do Gate Siga a cobertura online e as investigações do caso Ouça o depoimento da mãe de Eloá e as negociações Especialistas comentam o final trágico do seqüestro O promotor de Justiça Luiz Vasconcelos, que atua na 9ª Vara Criminal, disse que Santos foi expulso da PM por envolvimento na chamada "Gangue Fardada", temido grupo de extermínio acusado também por vários outros crimes, como roubos de carros e assaltos em Alagoas, sob o comando do ex-tenente-coronel da PM Manoel Cavalcante, que cumpre pena no Presídio Federal de Catanduvas (PR). Além do ex-cabo Santos e do ex-tenente-coronel Cavalcante, figuram como réus no processo Valdomiro dos Santos Barros, Valmir dos Santos, José Carlos de Oliveira, José Luiz da Silva Filho, Aderildo Ferreira, Cícero Felizardo dos Santos e Edgar Romero de Morais Barros. Segundo o promotor, contra o pai de Eloá consta ainda um mandado de prisão reeditado em 23 de abril de 2008, pelo juiz Geraldo Amorim, sobre o assassinato de Ricardo Lessa. "O trabalho da Justiça foi feito. Expediu-se um mandado de prisão e agora cabe à polícia cumprir a parte dela, entrando em contato com São Paulo", afirmou Vasconcelos. "Por isso que o pai não queria aparecer no caso Eloá, só a mãe da garota aparecia. Ele não compareceu nem ao enterro", observou o promotor. Durante as mais de 100 horas em que a filha esteve em poder do do ex-namorado Lindemberg Alves, de 22 anos, o pai da garota só foi visto quando teve uma crise hipertensão e acabou atendido por uma equipe do Samu. Assim que as imagens passaram em Alagoas, familiares teriam reconhecido Santos e contado a um jornalista, que publicou a notícia em seu blog e acabou alertando a polícia. A Polícia Civil de São Paulo disse que desde a manhã de segunda-feira tinha "informes" sobre o passado do pai de Eloá e chegou a entrar em contato com a Secretaria da Defesa Social de Alagoas para checar a veracidade das denúncias. "Recebemos uma fotografia do sujeito, mas ela havia sido tirada há dez anos e estava difícil fazer o reconhecimento", disse um delegado que atua no caso. "Quando a escrivã que colheu o depoimento do pai da Eloá viu a foto e reconheceu o sujeito, colocamos todas as nossas equipes atrás dele." Até as 23 horas de ontem, porém, Santos continuava foragido. O advogado dele, Ademar Gomes, disse ontem que só apresentará seu cliente depois de estudar o processo. "Ele alega inocência e não pretendo entregá-lo até que minha equipe estude os autos", argumentou.

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