Pai de Joanna é preso no Rio; madrasta tem prisão negada

Ambos foram denunciados pelo MP estadual pelos crimes de tortura e homicídio qualificado

Talita Figueiredo, O Estado de S. Paulo

25 Outubro 2010 | 19h35

RIO - André Rodrigues Marins, pai de Joanna Cardoso Marins, de 5 anos, morta há dois meses, foi preso hoje à noite por determinação do juiz do 3º Tribunal do Júri, Guilherme Schilling. À tarde, ele e a madrasta da garota, Vanessa Maia Furtado, foram denunciados pelo Ministério Público Estadual pelos crimes de tortura e homicídio qualificado (por meio cruel). Os promotores Ana Lúcia Melo e Alexandre Murilo da Graça pediram à Justiça também a prisão preventiva da madrasta, mas o juiz não concedeu.

 

Joanna morreu há dois meses em decorrência de uma meningite viral, mas segundo laudo da polícia, apresentava sinais de maus tratos. Caso condenados, os denunciados podem cumprir penas de até 40 anos de prisão pelos dois crimes. Os dois sempre negaram as acusações. De acordo com a denúncia, "Vanessa teve uma atuação tão grave quanto a de André Marins, tanto na prática da tortura quanto na omissão de socorro."

 

Segundo os promotores, na primeira quinzena de julho a menina foi mantida dentro da casa dos acusados com as mãos e pés amarrados e deixada no chão por horas e dias suja de fezes e urina. "O tratamento desumano e degradante deixou lesões físicas e psíquicas na menor, que colaboraram para a baixa da imunidade de seu sistema imunológico.

 

Os laudos do inquérito identificaram também sinais de hematomas e queimaduras em diversos pontos do corpo da menina, além de indícios de quadro depressivo - características que baseiam o oferecimento da denúncia para crime de tortura", diz a denúncia.

 

Ainda de acordo com os promotores, como a menina só foi levada ao hospital quando seu estado de saúde já era crítico. Para agravar a situação, ela foi atendida no Hospital Rio Mar, no Recreio dos Bandeirantes (zona oeste do Rio), pelo falso médico Alex Sandro da Cunha Souza, que liberou para casa. Ele já teve a prisão decretada e é considerado foragido.

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