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Pai e madrasta estão envolvidos em morte de menino no RS, afirma delegada

Elder Ogliari - O Estado de S. Paulo

15 Abril 2014 | 14h 57

O corpo de Bernardo Uglione Boldrini, de 11 anos, foi encontrado em matagal

Atualizada às 22h34

PORTO ALEGRE - A localização do corpo do menino Bernardo Uglione Boldrini, de 11 anos, na noite desta segunda-feira, 14, encerrou uma busca que já durava dez dias e comoveu o Rio Grande do Sul. A polícia afirma ter evidências de envolvimento do pai, da madrasta e de outra mulher no crime.

A investigação da polícia de Três Passos, no noroeste do Estado, corre em segredo de Justiça e deve esclarecer mistérios como o que teria levado os suspeitos a cometer o crime, qual foi a participação exata de cada um no desaparecimento e se o garoto foi morto por aplicação de injeção letal.

O sumiço de Bernardo foi comunicado à polícia pelo pai, o médico Leandro Boldrini, de 38 anos, no domingo, 6 de abril, quando ele teria percebido que o menino não voltava depois de passar o fim de semana na casa de vizinhos. Pelos dez dias seguintes os moradores da cidade de 24 mil habitantes, localizada a 470 quilômetros de Porto Alegre, se mobilizaram em campanhas pela localização do garoto.

A investigação policial encontrou contradições entre os depoimentos dos familiares e descobriu que, em 4 de abril, dia em que Bernardo teria saído de casa, a madrasta, Graciele Ugulini, de 32 anos, formada em Enfermagem, foi multada por excesso de velocidade em uma viagem a Frederico Westphalen, a 80 quilômetros de Três Passos. Policiais rodoviários informaram que a criança estava no automóvel na ocasião.

Posteriormente, a polícia localizou Edelvânia Wirganovicz, de 40 anos, amiga da madrasta, que, depois de algumas negativas, teria indicado a localização do corpo.

Na noite de segunda-feira, os policiais encontraram o menino morto, enterrado em um saco de plástico em um matagal próximo de um riacho em Frederico Westphalen. Também cumpriram mandados de prisão temporária contra o médico, a madrasta e a amiga da madrasta, que foram levados a presídios de outras cidades por razões de segurança.

Protesto. Dezenas de pessoas foram para a frente da casa da família demonstrar revolta e indignação, ao mesmo tempo em que acendiam velas e depositavam flores e mensagens para Bernardo.

A delegada Caroline Bamberg Machado disse ontem que, para não prejudicar o trabalho da polícia, não daria detalhes da investigação - mas demonstrou convicção de que os três presos estão envolvidos com o crime.

A polícia desconfiou dos depoimentos contraditórios das duas mulheres e conseguiu pistas sobre o garoto. Ao mesmo tempo em que apura os envolvimentos, a polícia descarta conexões do caso de Bernardo com outros dois que também tiveram repercussão local.

O primeiro é o da morte da mãe do garoto, Odilaine, por suicídio, na clínica do pai, há 4 anos. O segundo é a morte da estudante Kimberly Ruckert, de 22 anos, encontrada queimada dentro do carro da mãe, que é escrivã de polícia em Três Passos, no sábado passado.

Educado. Professores, vizinhos e colegas descrevem Bernardo como um garoto educado e atencioso, mas também revelam algumas situações de carência afetiva.

No final do ano passado, a pedido do Conselho Tutelar, o Ministério Público Estadual (MPE) tratou do caso e, em fevereiro deste ano, chegou a propor que a avó materna, moradora de Santa Maria, ficasse com a guarda do menino.

A promotora Dinamárcia de Oliveira contou que ele não se queixava de agressões físicas, mas de descaso do pai e da implicância da madrasta e queria morar com outra família. À época, segundo a promotora, o pai propôs uma retomada da relação e o menino concordou.

O corpo de Bernardo foi velado nesta terça-feira, 15, no Colégio Ipiranga, onde ele estudava, e seria levado no final da tarde para Santa Maria, onde seria sepultado na manhã de hoje, no mesmo túmulo da mãe. A criança tinha uma meia-irmã, de um ano e meio, filha do pai e da madrasta.