''Países precisam alinhar as suas capacidades militares''

ENTREVISTA - Salvador Raza, CIENTISTA SOCIAL

, O Estado de S.Paulo

20 Março 2011 | 00h00

O cientista social Salvador Raza, brasileiro, professor de Estratégia da Universidade da Defesa, em Washington, acredita que o resgate do entendimento entre brasileiros e americanos na política de Defesa está bem perto. De seu gabinete, no Centro de Estudos Hemisféricos na capital americana, ele falou ao Estado.

A visita de Obama trará resultados práticos para a Defesa?

A consequência imediata positiva será o reconhecimento tácito de que o ambicioso projeto de força que está sendo desdobrado no Brasil a partir da Estratégia Nacional de Defesa não configura ameaça ou desafio aos interesses dos EUA. A partir desse ponto, será possível admitir que ambos os países podem ganhar muito com o alinhamento de suas capacidades militares em missões conjuntas de alcance regional e global - claro, com a integração das matrizes tecnológicas de cada um.

Por onde passa a cooperação?

Do lado americano da questão, a prioridade é ganhar conhecimento amplo da cultura de segurança e defesa do Brasil, com ênfase em como construímos critérios de decisão em missões estratégicas. Do lado brasileiro, o foco está na transferência de informações para uma reforma do sistema educacional militar, de forma a preparar oficiais para atender as demandas complexas inerentes aos futuros ambientes das ações da Defesa.

Há ambiente para negócios militares de compra e venda?

Antes disso é relevante que haja percepção clara da convergência nas prioridades da segurança energética e ambiental de ambos os países. Sem isso, tudo ficará mais difícil em relação ao acesso às tecnologias e a financiamentos americanos para os sofisticados projetos nacionais de sistemas em rede de comando, controle, comunicações, computadores e inteligência

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