TIZIANA FABI/AFP
TIZIANA FABI/AFP

Papa admite estudar ordenação de homens casados

Em entrevista a um jornal alemão, o pontífice disse que mudança não seria solução para falta de padres na Igreja, mas se colocou aberto ao tema

O Estado de S.Paulo

09 Março 2017 | 18h25
Atualizado 09 Março 2017 | 21h41

O papa Francisco disse em uma entrevista ao jornal alemão Die Zeit, publicada nesta quinta-feira, 9, que a Igreja Católica deveria estudar se é possível ordenar os “viri probati”, homens casados de fé comprovada. Na longa entrevista, Francisco destaca que acabar com a regra do celibato não é a resposta para a falta de padres na Igreja Católica, mas expressou uma abertura a estudar se os “viri probati” poderiam ser ordenados. 

“Também devemos determinar quais seriam suas funções, por exemplo, em localidades remotas”, destacou o papa Francisco. 

De acordo com os jornais alemães, integrantes da Igreja acreditam que, diante da falta de párocos em vários países, seria necessário abrir uma nova via: juntamente com os sacerdotes, que fazem voto de celibato em sua ordenação, seria recomendável ordenar os “viri probati”, homens casados que tenham tempo e possam demonstrar um compromisso duradouro com a Igreja. 

Em várias ocasiões, pontífices já haviam afirmado que a proibição de ordenar homens casados não era um ponto de doutrina irreversível. Antes de Francisco, o papa Bento XVI afirmou que isso não constituía um dogma, como, por exemplo, a fé na ressurreição de Jesus Cristo. 

Ainda de acordo com a publicação alemã, o cardeal dom Claudio Hummes, um amigo de longa data do papa Francisco, tem pressionado para permitir a ordenação de “viri probati” na região da Amazônia, onde a Igreja tem cerca de um padre para cada 10 mil católicos. O Estado não conseguiu nesta quinta falar com o religioso a respeito.

Francisco ainda destacou que momentos de crise de fé podem ser oportunidades para crescer e, ele mesmo, já passou por “vazios”. “Na vida humana acontece assim. O crescimento biológico sempre é uma crise, não? A crise de uma criança que se torna adulta. Com a fé é o mesmo. A crise faz parte da vida de fé. Uma fé que não entra em crise para crescer, permanece infantil.” 

Ataques. Na mesma entrevista, o pontífice afirmou que não perde a paz por causa das críticas internas que possa vir a receber. Recentemente, ele foi alvo de panfletos apócrifos em Roma, supostamente ligados a pessoas da Igreja que não comungam de suas posições, consideradas progressistas. Com bom humor, que afirma sempre procurar manter no dia a dia, chegou a destacar que o manifesto contrário é “belíssimo” e bem escrito.

“Sobre isto eu farei uma confissão sincera”, disse Francisco. “Desde o momento que fui eleito papa não perdi a paz. Entendo que meu modo de agir não agrada a alguns, também justifico isto: existem tantos modos de pensar; é também lícito, é também humano e também uma riqueza.” / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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